quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Dia 37 - Carrot = Cenoura

Hello, how are you? Por aqui tudo bem.

Hoje pra começar vou falar sobre nós. E se você está lendo esse post sinta-se parte disso. Quando comecei a escrever o blog não queria nada além de registrar para mim mesmo as coisas que tenho passado e vivido aqui. Aliás, esse continua sendo o espírito da coisa e já me imagino daqui há alguns anos lendo tudo isso e relembrando cada dia dessa experiência fantástica e que recomendo para todos.

Tenho muita saudade dos amigos e, principalmente da família, e por aqui eu consigo trazê-los, mesmo que um pouquinho, para o meu mundo. Claro que eu queria contar muito mais coisa e talvez isso não seja nem 5% do todo. Mas por aqui consigo contar muito mais do que em uma conversa no Whatsapp. Na correria do dia, nem sempre a gente consegue parar e dar a atenção que a gente quer.

Cada dia aqui é uma sensação e um aprendizado diferente e quando sento para escrever tento relembrar um detalhe, uma novidade, uma história diferente ou simplesmente falar da temperatura. Hoje, por exemplo, fez um dia lindo aqui e já deu pra imaginar como serão as coisas no verão. Certamente contarei para vocês.

Enfim, quero mesmo agradecer todo mundo que está lendo e acompanhando o blog, que não é apenas um sucesso para mim. Já recebi vários comentários de amigos, pessoas não tão próximas, desconhecidos...e todos sempre apoiando. Até as amigas da minha mãe estão por aqui e ajudaram a contabilizar mais de 15 mil visualizações em pouco mais de um mês. Thank you so much.

Dani após o dia de waitress
Depois da parte fofa do post, vamos falar do que aconteceu hoje.

A Dani pela primeira vez trabalhou como waitress (garçonete) no Braza. Foram 5h na labuta e ela parece ter gostado, disse que passou rapidinho, até porque não parou um minuto. Ganhou até uniforme. Linda.

Na escola, a evolução continua, mas hoje tivemos uma DR com o Matt. A brasileirada se reuniu no intervalo e resolveu ter uma conversa com o teacher para ver se ele melhora a dinâmica da aula. Ele é do bem, mas às vezes começa uma coisa e não termina ou então tá falando de A e dá lição de Z. Mas ele entendeu, tá começando agora - se não melhorar vai ficar sem paçoquinha - e pediu pra gente estudar fora da classe também. 

Nisso ele tá mais do que certo. Na escola a gente aprende? Aprende. Mas fora dela é que você se vira e vai evoluir de verdade. Por exemplo, no meu trabalho se antes eu não entendia nada do que me pediam, agora eu já entendo 90%.

Por exemplo: Outro dia, o chef da cozinha me pediu para colocar a cenoura na panela. Algo do tipo: "Can you put carrots in the pan?" Em outros tempos eu responderia com um "Yes" e ficaria olhando pra cara dele, mas não. Aí que você vê que evoluiu. Eu perguntei pra ele. "What is carrot?". Acrescentei uma palavra ao meu vocabulário e até ele deve ter ficado feliz, já que antes conversar comigo e com um ursinho que você aperta a barriga e só diz três palavras dava no mesmo. No meu caso eram: Yes, No e Thank you.

Só pra completar, hoje no teste do Listening o que caiu? Cinco segundos pra vocês pensarem. 5,4,3,2,1. Isso mesmo: carrots. Já logo entendi tudo e acertei 17 de 25. Valeu chef, valeu amigos, beijo mãe.

VOCÊ SABIA ...

... que você pode achar uma geladeira novinha na rua?

...que já estamos pensando na renovação?

... que já estamos há um mês aqui?

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Dia 36 - Pensando na renovação

E se o Clean up de ontem em Dee Why não rendeu nada, hoje encontramos um armário para o quarto. E onde? Quase na esquina de casa. Voltando do cleaner na Anglicare com o Bruno avistamos um Clean Up aqui por perto e resolvemos parar.

Tá ficando arrumadinho
E aí? Vale ou não vale? Pensamos e resolvemos trazer o armário para o quarto. Não é nenhum móvel planejado da Italínea, mas é um armário que vai nos ajudar e muito. Pelo menos já vamos conseguir, enfim, desfazer as malas de vez. Aos poucos, nosso quarto tá ficando bem arrumadinho e semana que vem vamos pegar uma cama nova de um casal que está voltando pro Brasil após sete anos aqui. Oba.

Hoje também foi dia de corrida. Mesmo moído, acompanhei a Dani e fizemos mais 6 km. Essas ladeiras aqui matam, viu? Bunda dói, calcanhar também.

Outra coisa: começamos a ver as coisas da renovação do visto. É tudo muito cedo ainda, mas como o tempo voa, fomos até a agência para ver o que e quanto ($$$$$) precisamos. Nosso visto termina em janeiro, mais precisamente no dia 2, e nossas aulas vão até a chegada do Papai Noel, no dia 23 de dezembro.

Temos alguma opções, mas como ainda não definimos nada, melhor esperar. A única certeza é que queremos ficar por mais um tempo. Quanto? Ainda não sabemos. Muito cedo para decidir.

Mudando de assunto, outro dia falei da saudade das pessoas que vão embora e a gente nem percebe. Mas dessa vez, foi rápido demais. O Lucas, um brasileiro de Maresias, começou na minha classe semana passada e vai precisar voltar pro Brasil por conta de uns problemas de saúde. Fiquei na bad, moleque gente boa. Mas beleza, um dia ele volta pra gente continuar ensinando os palavrões pros coreanos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Dia 35 - Clean up

O cabelo ganhou um novo visual hoje, mas dessa vez a mudança foi menos radical. Apenas passei na minha cabeleireira - que também é minha namorada nas horas vagas - e pedi para ela dar uma aparada. O corte mais uma vez recebeu elogios.

Tarde livre de trabalho, compras feitas para o almoço da semana e cabelo cortado. O que fazer? Estudar. Nestes últimos dias, eu aprendi o passado simples. Ou seja: "I learned the past simple."

Falando na aula, ainda não levei a paçoquinha para o Matt. Fui na loja comprar e não tinha mais, vou esperar chegar. Quando ele provar, conto para vocês. 

O estudo foi interrompido só porque o Brunão me ligou. Tá rolando um clean Up em Dee Why, um bairro próximo aqui. Já falei em outro post, mas hoje vou falar mais sobre o clean up. 

Funciona assim: Você tem um sofá e não usa, tem um armário e não tem onde pôr. Sua TV velha funciona, mas está inutilizada, assim como aquela geladeira. A antiga mesa da cozinha está ocupando espaço demais na garagem. O que fazer com isso? Coloca na rua que pode ser útil pra alguém. 

Tem de tudo no clean up
E assim acontece com inúmeras coisas, sejam eles eletrodomésticos, móveis, roupas, eletrônicos, objetos pessoais e até filmes pornôs. Alguém enjoou dos filmes e resolveu compartilhar com a galera. Pena que era VHS...senão já ia levar pros meus amigos. 

Em Dee Why não achamos nada que nos interessasse. Apesar da iniciativa ser boa, algumas pessoas se aproveitaram da situação para se livrar do entulhão também. Mesmo assim, quem estava procurando por colchão, mesa e cadeiras, certamente achou. 

Ah, as "doações" não ficam na rua por muito tempo e não podem ser colocadas nas calçadas em um dia qualquer. Existe um calendário e um controle do Council, uma espécia de Sociedade de Melhoramento do bairro e cada bairro tem o seu. 

Acho que é isso. 

domingo, 28 de agosto de 2016

Dia 34 - Um mês e um churrasco

O dia mais uma vez começou bem cedinho por aqui. Hoje não teve tijolo, mas cai da cama para acompanhar com a Alyne e o Rafa a primeira competição do Brunão no jiu-jitsu. A Dani ficou em casa, já que hoje, pela primeira vez, ela vai dobrar lá no Braza. Oooo menininha esforçada, viu.

Na competição, o Bruno foi derrotado apenas uma única vez e pelo campeão, um americano com cara daqueles psicopatas que invadem a Universidade atirando em todo mundo. Tudo bem que a derrota do Bruno foi logo na primeira luta, mas só pelo esforço que ele fez para chegar no peso, o campeonato já valeu a pena. Na próxima a gente pega ele, Brunão. 

Um brinde ao nosso primeiro mês de Austrália
A competição aconteceu na Sydney University Sports and Aquatic Centre. Como o próprio nome já diz é uma universidade, mas não apenas os estudantes podem usufruir de toda a estrutura montada. E olha que não é pouca coisa. Enquanto estávamos lá, pude ver aulas de natação, handebol, futebol, alongamento, crossfit e badminton. No entanto, acabo de ver no site que são nada mais nada menos do que 45 modalidades disponíveis, além das aulas de ginástica.

Não sei como funciona para associar-se neste complexo em si, mas existem alguns espaços semelhantes a estes em que você paga uma determinada quantia e pode utilizar as instalações. Sei de um aqui perto de casa em que você paga sete dolétas e pode usar a piscina, por exemplo. 

De volta para Manly, pude apreciar meu primeiro churrasco - com direito a picanha - aqui na Austrália. Eram vários os motivos para comemorar. Primeiro, Brunão só perdeu pro campeão. Segundo, minha folga de domingo. E terceiro não é sempre que consigo uma folga da Dani. Brincadeira, mozão, sentimos sua falta e eu comi por você. 

Mas sério agora, o terceiro motivo é que hoje completamos nosso primeiro mês de Austrália. Com todos problemas que tivemos, temos mesmo é que comemorar. A Dani não participou do churrasco, mas comeu uma carne requentada agora a noite e também o bolo de laranja e o brigadeiro. Antes fomos todos buscá-la no trabalho e tomar uma cerveja no Steyne. Lá sim, brindamos o nosso primeiro mês de alguns que estão por vir. Cheers!

ps: Dani não tinha cafta e nem coração (explicação aos leitores: falamos que tinha acabado e ela ficou morrendo de vontade). 

sábado, 27 de agosto de 2016

Dia 33 - Um tijolo de cada vez

Trabalhando ontem à noite, recebi uma ligação. Sempre penso que vai ser alguém falando em inglês e que não vou conseguir entender, mas das últimas dez ligações que recebi aqui, 11 eram do Brunão, meu flatmate. Dessa vez não foi diferente.

"Vitor, rapidinho. Quer trabalhar amanhã? Duas horinhas". Antes que ele terminasse, aceitei, tava areando a panela concentradão, não quis perder o foco. "Beleza, depois te explico então".

O trabalho era na casa da Katie. Ela colocou em algum grupo no Facebook que precisava de alguém para remover os tijolos do quintal da casa dela e colocar em uma caçamba. O Bruno logo pensou em mim. Seria fácil, não fosse o fato de eu ter que ir sozinho e pelo menos conseguir conversar o básico com a moça.

O Brunão quis me levar, não quis e lá fui eu caminhando vinte minutos até Balgowlah, um bairro aqui perto. O caminho até o local do job já valeu a pena. É uma casa mais bonita que a outra, e esse bairro por ser mais alto que o nosso (Fairlight) tinha uma vista ainda mais privilegiada da praia de Manly.

Pausa pra foto 
Cheguei às 8:45 am, quinze minutos antes do combinado e fui recepcionado pelo marido da Katie, sujeito do qual eu esqueci o nome ou sequer entendi o nome. Tanto faz agora. O que lembro é que consegui me fazer entender. Meu script estava decorado e até conversei com o casal, os filhinhos e até com o cachorro.

Olhando não pareciam ser tantos tijolos, mas quando se tem apenas uma sacola para removê-los, eles aparentavam se multiplicar. Numa rápida conta, cheguei em um número: 800 tijolos. Vamos lá, um por um, nada de pressa. Deu 10:00, 10:30 am, tudo ia bem, quando o vizinho resolve querer conversar.

Essa não tava no script e não entendi muito bem o que ele disse. A Katie logo apareceu e aproveitei a brecha para dizer que a caçamba parecia estar cheia. Ufa, estava cheia mesmo. Ela disse que eu não precisava continuar e que estava ótimo. Pelas minhas contas ainda faltavam uns 100 tijolos. Obrigado e mais 60 doletas pra conta. Ótimo.

Era só o primeiro tempo do dia. Hoje ainda fiz o cleaner da semana com o Bruno e a noite fui pro restaurante. Nesse meio tempo, recebemos a nossa primeira visita em casa. O convidado não poderia ser outro e até que demorou para vir. O Carioca, que nos recebeu e ajudou nos primeiros dias, chegou pro almoço e eu pude retribuir com uma macarronada e uma cerveja. Valeu Joseph, sempre bem-vindo.

Por hoje é isso. Depois dessa maratona, amanhã é folga Brasil.

VOCÊ SABIA...

... que eu pintei o cabelo?

... que aqui praticar esporte é quase uma obrigação?

... que levamos os gringos para comer comida brasileira?

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Dia 32 - Paçoquinha

Uma regra para quem vive aqui na Austrália é não se apegar muito as amizades. Nada de tratar mal as pessoas ou não ajudar o próximo, mas aqui muita gente vai embora quando você menos espera. Eu já tinha pensado nisso, mas hoje tivemos a nossa primeira despedida desde que chegamos.

Tudo bem que quem voltou para casa não eram nossos amigos, mas foram colegas que enfrentaram as mesmas dificuldades que a gente e nos ajudaram quando precisamos. 

Hoje foi dia de dar tchau para a Dania, italiana, 17 anos, tava com saudade de casa e dos amigos. Ela ficou aqui sete meses, se eu não me engano, e foi tanto da minha sala como da Dani também. Grazie.

Geral no Brazuca 
Outras que mal chegaram e já partiram foram as irmãs Carol e Claudia, espanholas que vieram para estudar apenas um mês. Chegaram no mesmo dia que a gente. Essas eu quase não tive contato, mas a Dani conversou bastante com as duas. Graças chicas. 

É triste? É. Faz parte? Faz. Vai acontecer de novo? Vai. Vamos nos acostumar? Talvez. Ainda temos mais quatro meses, pelo menos, de curso e até lá muita gente vai chegar e vai sair. Já sinto saudade dos meus coleguinhas. 

Enfim, para celebrar a estadia delas aqui, nada melhor do que levá-las para comer comida brasileira. Combinamos com quase todos os alunos e fomos almoçar no Brazuca, um dos restaurantes brasileiros aqui em Manly. Arroz e feijão pra todo mundo, menos pra italiana que mesmo com várias opções não abriu mão de comer massa. Mas mesmo assim, acredito que eles gostaram bastante. Até os coreanos foram.

Foto daqui, foto de lá. Pronto, está registrado.

Na volta para aula, o Matt (meu professor) já estava sabendo do nosso encontro. Perguntamos então se ele gostava de comida brasileira. Com aquele sotaque de inglês, mas que nasceu na Alemanha e morou na Suíça até pouco tempo atrás, ele emendou: pão de queijo (pao de queiço), feijoada (feizoada) e brigadeiro (brrrigadiero). Perguntei: conhece paçoquinha? E ele respondeu: What? Passoquina? Expliquei para ele, mostrei foto e prometi: segunda trago para você. 

Aliás, aqui tem muita coisa pra matar a vontade da comida do Brasil. Além da paçoquinha, já achei pé de moleque, feijão preto e carioca, batata palha, farofa pronta e pão de queijo. Dá pra quebrar o galho, vai.

Partiu lavar louça. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Dia 31 - Atletas do Invernão

A ideia é deixar o cabelo branco mesmo, mas tá difícil. Hoje a Dani resolveu passar a água oxigenada 40vls e meu couro cabeludo não ficou muito feliz. Aguentei oito minutos e já mergulhei no banho. Tudo bem, aquele laranjão já se foi.

Antes disso, porém, fizemos nossa primera corrida "toguedinho". O cenário é encantador e dá vontade de sair correndo e não parar mais. Nem o frio, esse lazarento, atrapalhou nossos planos. Saímos aqui de casa e fomos até Shelly Beach. Na volta, subimos uma ladeira bem mais desafiadora que o Ilha Porchat (São Vicente) e conseguimos. Oito quilômetros pra conta. Anota aí, Cecil (professor do grupo de corrida da Dani lá em Santos, o Atletas de Verão).

E essa vista?
Já falei pra vocês que o povo aqui é muito atleta, né? Tem gente correndo pra tudo que é lado, as academias tem promoções e além disso vários prédios possuem seus próprios aparelhos. Mas também tem muita gente de skate, bicicleta e já vi até um pessoal de terno e gravata indo trabalhar de patinete. Surfista então, tem de monte. Sem contar os parques com quadras de tênis, rúgbi e espaço para jogar críquete. Só não pratica esporte quem não quer.

Bom, além de nós, temos outro atleta em casa. O Brunão ainda é faixa branca do jiu-jitsu e vai participar do seu primeiro campeonato no domingo. Eu vou lá assistir e depois conto pra vocês como foi. Hoje, ele aproveitou a folga e nos acompanhou na corrida, já que ele precisa perder uns quilinhos pra luta. O bicho, que é bom de boca, tá só na salada, cortou a pizza semanal e até nossa cervejinha quase que diária. Beleza.

A boa notícia do dia é que a Dona Tete, vulga minha mãe, estará mesmo com a gente no final do ano. Pelo que obtive de informações vindas de Santos, ela assistirá aos fogos da virada em alguma praia paradisíaca da Austrália. Contaremos os dias.

Vem Tete! Beijos.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Dia 30 - Cabelo pintado, sim

Você é louco, malucão mesmo, you are crazy, faltou surra. A Dani deixou?

O post está longe de querer ser polêmico, mas as reações sobre a cor do meu cabelo me deixaram um pouco encucado. Também não quero entrar em uma de comparação Brasil x Austrália. Quem sou eu para cagar regras? Eu amo o Brasil e não vim para cá para fugir da corrupção, nem dos assaltos e nem para ganhar dinheiro. Eu só quero aprender inglês. 

Embora eu esteja escrevendo sobre o assunto, os comentários não me deixaram tristes ou irritados. Não mesmo. Mas eles podem exemplificar, e muito, como as coisas são diferentes por aqui. 

Por exemplo: lembro que comentei em outro post que vi um cara de cueca na rua. Ele não me parecia um louco, não estava pedindo dinheiro, tinha uma mochila nas costas e parecia mesmo que tinha perdido a hora e acabou esquecendo das calças. Tudo bem, pode ser que não seja isso, mas olhei para ele, as pessoas em volta... Nada. Ninguém o recriminando. Não que seja normal ou legal, mas ele estava na dele, sem importunar uma pessoa sequer. Porque eu iria me incomodar?

Ela não só deixou, como foi minha cúmplice
Posso falar também das mulheres e homens bonitos, de diferentes culturas, que a gente vê por aqui. Cada um tem o seu estilo. O italiano é elegante ao seu jeito, os espanhóis adoram um shorts mais curtinho, alguns surfistas locais parecem que não cortam o cabelo há anos e os asiáticos, talvez os mais diferentes, adoram usar papete, também curtem pintar o cabelo e usar calças estilo pescador, aquela na canela.  

Ah, então você quer aparecer e criar o seu estilo? Não. Antes de vir fiz até uma promessa pra Dani de que ia raspar o cabelo quando chegasse aqui. Minha justificativa era de que "ninguém me conhecia mesmo". Não sei se ficaria legal, mas os carecas certamente poderão me ajudar e dizer que é bem mais prático e rápido. 

Antes de raspar, tive vontade de pintar, de mudar. Tive coragem de largar meu emprego, de deixar minha mãe, de sair do Brasil e vou me preocupar com a cor do meu cabelo? Ninguém precisa deixar, também não sou malucão, e se alguém me batesse para me recriminar, talvez eu ficasse ainda com mais vontade de pintar. Hmmm rebelde. 

Enfim, esse é só o meu pensamento e acredito que o de muitos que vivem por aqui. Se você é feliz assim, eu vou te respeitar. Se você tem tatuagem na testa, não será isso que vai mudar a minha opinião em relação a você. Cabelo vermelho? Sem problema, você pode trabalhar comigo. 

Para os que não gostaram do cabelo, respeito e peço que continuem lendo o blog. Mas vocês ainda não viram a sobrancelha. 

Um beijo e podem continuar comentando e não gostando, eu amo vocês do mesmo jeito. 


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Dia 29 - Inglês no Whatsapp

Depois da experiência não muito feliz do azul, resolvi pintar o cabelo de branco. A ideia é deixar branco, tipo grisalho. Porém, um dia apenas não foi possível para alcançar esse objetivo. Vocês só verão o resultado ao final de tudo, mas por enquanto imaginem um cabelo laranja, tipo o do Julio Rasec, aquele do Mamonas Assassinas.

O que tenho para dizer hoje é que o inglês cada vez menos parece ser um bicho de sete cabeças. Talvez, umas três ou quatro cabeças agora. Mas o importante é que eu já entendo quase 90% do que o Matt fala na aula. Por vezes até ajudo os coleguinhas a entenderem o que ele disse ou o que ele quer. Para quem não entendia nada, já foi uma grande evolução.

Vitor Pajaro Nogueira em coreano
Agora tô até conseguindo entender e conversar com o Daniel, meu amigo coreano. Ele fala algumas coisas em português como: "Oi, tudo bem? Meu nome é Daniel." Hoje ele resolveu escrever meu nome completo em coreano e ainda perguntou o da Dani. No meio ainda fez um coração. Vocês tinham que conhecer ele, um fofo. Além dele, agora tem o Minsung também, outro coreano. 

Mais uma prova da minha melhora no Inglês é a minha evolução no Lyrics Training, uma das ferramentas de estudo lá na minha escola. Se antes eu penava para completar as músicas no modo fácil, agora já estou batendo recorde atrás de recorde no nível intermediário. A música da vez é Hello, da Adele. A galera entra na sala de computador e tô eu lá, empolgadão: Hello, from the other siiiiiiiide...

Ainda sobre o inglês, a pronúncia é muito importante. Tudo bem que aqui na Austrália, o povo usa muita gíria e tem um sotaque próprio, além, é claro, de falar muito rápido. Tudo bem, a gente acostuma. Ou pelo menos tenta. 

Eu, por exemplo, combinei de conversar pelo Whatsapp só em Inglês com o Carioca, aquele amigo meu que também está aqui. Quando eu tenho dúvida, tento, escrevo errado mesmo e se ele souber o certo, me corrige. Às vezes até me arrisco e mando um áudio, tipo hoje. 

Quando estava a caminho da escola com a Dani, recebi uma mensagem dele elogiando o blog e dizendo que eu podia até ganhar dinheiro com isso. Resolvi responder com uma mensagem de voz, mas admito que tive ajuda da Dani e treinei pelo menos umas 15 vezes antes de mandar o áudio. Assim ficou fácil e ele até elogiou.

Eu respondi assim pra ele: Thank you, man. I'm studying a lot to improve my English and do that soon. 

Terça-feira, dia de cleaner na Anglicare. Beijos, amanhã continuo contando sobre o cabelo.

VOCÊ SABIA...

...que o blog ultrapassou 10 mil views?

...que experimentamos o feijão da Austrália?

...que a Dani arrumou emprego?

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Dia 28 - 10,000 views

Importante falar que ultrapassamos a marca das 10 mil visualizações. Em tempos de campanhas políticas, peço que vocês continuem me dando essa audiência.

O blog não tem segredo, apenas conta as histórias que estamos vivendo por aqui e muita gente que eu nem conheço tem me procurado - e a Dani também - para tirar dúvidas sobre como é a vida na Austrália.

Fizemos muito disso antes de vir e conversamos bastante com o pessoal que já veio ou ainda está aqui. Então, sintam-se à vontade para perguntar e comentar nos posts. Prometo não decepcionar os meus leitores. Essa é a minha promessa de campanha.

Por aqui, o frio oficialmente está de volta, mas acho que já estamos nos acostumando com ele. Ou melhor, nos preparando melhor para enfrentá-lo.

Hoje, por exemplo, sai às 7:30 pm para trabalhar e fui com três casacos. Chupa, frio. Ganhei de você dessa vez. A Dani, tadinha, não teve a mesma sorte e passou um frio danado na porta do Braza, o restaurante que ela trabalha e que é bem de frente para a praia.

Por hoje é só.

domingo, 21 de agosto de 2016

Dia 27 - Cabelo azul?

Mais um domingo aqui em Manly. Mais um dia de sol, mas aquele vento que congela a alma tá querendo voltar. Mesmo assim, aproveitamos a manhã para conhecer mais algumas praias e vistas deslumbrantes que existem por aqui.

Como não poderia ser diferente nossos guias foram o Rafa, Alyne e o Bruno. A primeira parada foi em Queenscliff, com vista para a praia de Freshwater. Piada! A vista de cima é absurda de bonita. E a água? Mais clara que o olho da Dani.

Nós e a praia de Freshwater ao fundo
Passamos ainda por Curl Curl e depois fizemos uma rápida parada em Dee Why, uma praia bem movimentada e que, assim como Manly, tem bastante brasileiro. Lá, fomos em um campo de golfe. Aliás, o que não falta aqui é campo de golfe ou qualquer outro espaço para você praticar qualquer tipo de esporte. Até brinco com a Dani que não vejo ninguém acima do peso por aqui. Nikolas, se você tá pensando em vir mesmo para cá, melhor emagrecer. 

Depois da caminhada hora de conhecer mais um atrativo aqui em Manly, principalmente para os brasileiros. Até que demoramos para ir, mas enfim conhecemos o Brazuca, um restaurante com comida brasileira. Arroz, feijão, batata, farofa, coração, picanha, pastel, salada. Me senti no Cais Novo, restaurante/boteco quase na esquina de casa aí no Brasil. 

Dani trabalhando no Braza
Barriga cheia, cafézinho... vou pintar o cabelo de azul pra dar uma agitada nesse domingão. Lá fomos nós comprar uma tinta. Já em casa, tinta no cabelo e quarenta minutos de espera. Bem que na embalagem tava escrito que não era recomendado para cabelos pretos. Após o banho, nenhum fio azul. Nadinha, tudo igual.

Em meio a isso, a Dani que começaria a trabalhar só amanhã (segunda), recebeu um telefone do chefe e começou hoje mesmo lá no Braza. Domingão e a menina lá ralando. Isso aí. 

Eu também fui trabalhar e como a experiência do cabelo não agitou em nada o domingo, um bichinho nada agradável resolveu dar o ar da graça. "Vitor, tem uma barata em você", disse a Juliana, que trabalha comigo antes de apavorar-se. "É uma araaaaaaanha". 

Bom, aranha morta, eu vivo. Aqui as aranhas são extremamente perigosas. Nem todas, mas é bom tomar cuidado porque algumas são bem venenosas. Essa não era, eu acho.

Beijos, Brasil.

sábado, 20 de agosto de 2016

Dia 26 - Feijão na Austrália

Hoje é dia de feijão, bebê. Depois de mais uma sexta no Steyne e algumas cervejas, fiz um almocinho caprichado pra geral. O Brunão perdeu porque entrou às 2 pm no restaurante, mas a Dany, Rafa e Alyne provaram e disseram que gostaram. Não sei se é caô, mas eu tentei.

A carne que eu comprei não era nenhuma Brastemp. Nem lembro o nome, mas tava num preço bom, oito doletas o quilo. Mesmo assim, não recomendo. Aqui tem picanha e custa dezessete o quilo. Vou nessa na próxima.

O arroz foi um a grega e as batatas fiz do jeito que aprendi com o meu parceiro Renato Cury. Tá vivo, irmão? Dá um sinal de vida aí.

Aprovado?
O grande destaque porém foi o feijão. Quem conhece a Dani sabe que ela é apaixonada por feijão e a bichinha quase chorou quando viu a cumbuquinha ali na frente dela. Ela é daquelas que se tiver um pedacinho de pedra e feijão ela põe pra dentro.

Mesmo assim, não é o feijão que estamos acostumados. Aqui o mais fácil de encontrar é o preto. O normal, o carioca, vem numa latinha quase pronto e você só precisa dar uma temperada. Água, sal, alho e cebola.

Tirando a carne (só que eu não gostei), até que deu pro gasto.

Hoje também comi McDonalds pela primeira vez aqui. Pedi um Big Mac e, olha, é aquela coisa mesmo. Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, pickles e um pão com gergelim.

Ele custa 10 dolétas e se eu pagasse com os meus tips (gorjeta) de hoje no restaurante ainda sobraria troco. Hoje o povo tava bonzinho e levei pra casa 16 doletas. Já o lanche foi na conta do Brunão mesmo.

Acho que por hoje é isso. Agora são 3:20 am e tô aqui lutando contra o sono para ver se consigo assistir o jogo do Brasil contra a Alemanha, final da Olimpíada. Será?

VOCÊ SABIA?

>>> ...que a Dani arrumou emprego?
>>> ...que eu não quero estudar à noite?

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Dia 25 - Dani Waitress/Hostess

Você chega num restaurante e é recepcionado por uma linda mulher, loira, olhos claros e simpática. A comida é brasileira, churrasco dos bons e com vista para a frente do mar. Estamos falando do Braza, um dos restaurantes brasileiros mais famosos da Austrália e que acaba de inaugurar a sua nova unidade aqui em Manly.

Reunião oficial de sexta-feira
Mas melhor do que isso, estamos falando da Dani, a mais nova funcionária da casa. Podem comemorar, ela conseguiu. Eu sabia, sempre soube.

Depois de ser aprovada no trial do Bavarian ontem, ela resolveu ir também ao trial do Braza, hoje. Já que estava marcado, porque não ir e ver no que dá? Pois então: no meio da tarde, o manager ligou e disse que os planos para ela tinham mudado. Ela não trabalharia como waitress (garçonete), mas sim como hostess, a responsável por recepcionar os clientes.

Enquanto eu tava na labuta lavando meus pratinhos, só pensava em como ela tava se saindo lá no Braza. Eu tinha certeza que ela ia bem e foi. O trial dela durou duas horas e assim que eu saí fomos para o Steyne comemorar tomando uma cervejinha. Aliás, a cerveja de sexta no Steyne já faz parte do nosso calendário.

O bom do trabalho no Braza é que o chefe e a maioria dos funcionários são brasileiros. A Dani ainda tem uma amiga que trabalha lá. O trabalho mesmo deve começar na semana que vem. Antes, ela precisa fazer um monte de cadastro, levar uma papelada, mas já assinou contrato e tudo. Pelo que ela me falou, durante a semana ela trabalha como waitress e aos fins de semana fica como hostess.

Palmas pra ela.

Outra história que aconteceu hoje aqui. Vou contar rapidinho. Tô eu encostado num carro esperando o Bruno sair do restaurante quando um grupo de umas oito pessoas, aparentemente bêbados, vem em minha direção. Uma mulher diz: Não encosta no meu carro, por favor.

Eles saem andando pro outro lado rindo da minha cara. Fiquei bravo e pensei: "essa porra de carro nem deve ser dessa idiota, vou me encostar aqui de novo". E fiz. O carro era dela, ela veio toda revoltada e tirou o carro. Ok, encostei no do lado. Nisso uma outra, amiga dela, veio falar que eu tinha que ter respeito pelo carro alheio e não encostar, que eu não podia fazer isso.

Nessa hora eu só queria saber xingar essa pinguça, mas nem isso eu aprendi ainda. Mandei um palavrão em português mesmo e resolvi entrar no restaurante pra não comprar briga. Pipoquei, mas aprendi que encostar no carro dos outros não deve ser legal.

Palmas pra mim também.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Dia 23 - Estudo à noite: não

Faltei na aula de novo. O Matt, meu professor, não vai gostar. Mas é por um bom motivo, garanti em dois dias de pintura com o Brunão quase todo o aluguel, que só vamos ter que pagar no próximo dia 31. Ou seja, o que entrar daqui pra frente é lucro.

Até pensei em mudar o meu curso para a noite, mas hoje definitivamente mudei de ideia. Voltamos lá na casa para acabar a pintura e dessa vez fomos com o Cassius, um gaúcho que chegou aqui na semana passada e tá estudando na mesma escola que eu, a Navitas.

Aluguel garantido
A esposa dele era manicure no Brasil e já tá conseguindo um dinheirinho com isso. Ela atendeu a Alyne aqui em casa e falou do Cassius. Como o Bruno queria terminar o trampo hoje, chamou o cara. Aqui é assim: tem que dar as caras, se virar, se oferecer. Basta lembrar que só conhecemos o Bruno porque fomos na caruda conversar com um grupo de brasileiros que almoçava do nosso lado.

Mas voltando a falar da escola. O Cassius começou o curso na segunda e entrou no Elementary, um nível abaixo do meu e que só tem a noite. Na classe dele são 20 pessoas, sendo uma colombiana e o resto tudo brazuca. Tudo bem que a evolução depende de cada um, mas segundo ele, fica difícil falar inglês, até porque ninguém sabe.

A única vantagem de estudar a noite é conseguir emprego mais fácil. Eu, por exemplo, poderia ajudar o Brunão em outras pinturas, ou então arrumar um Labour (pedreiro), que paga até melhor do que os trabalhos na cozinha. Quando vim, até queria ser Labour, mas pelos relatos que eu ouvi aqui, não sei se vale a pena. Parece puxado demais. Um dia quem sabe.

A Dani, por sua vez, segue na sua saga por um emprego. A bichinha é ansiosa, né? Mas ela vai conseguir, tenho certeza. O trial que ela ia fazer hoje não rolou, o cara quis remarcar pra sexta-feira de manhã. Mas esse nem era legalzão. Ela não perdeu tempo e foi entregar mais currículo, nisso conseguiu outro Trial para amanhã, no Bavarian, outro bar.

Amanhã conto pra vocês como foi, porque agora vou dormir. O meu dia começou às 5h, mas pelo menos acabamos a pintura.

Beijos

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Dia 22 - Dry é seco

Os dias aqui estão cada vez mais corridos. Estudo, trabalho, compras, horas na cozinha... e o tempo para o blog está ficando escasso. Hoje vou escrever rapidinho só para não perder o dia.

Depois da aula de hoje, a Dani foi fazer mais um trial. Dessa vez, ela foi no Manly Wharf, aquele bar bonitão que eu tinha falado pra vocês em outro post. Ela chegou em casa felizona, parece que foi bem legal e ela gostou de ter ficado no bar servindo e preparando bebidas para os clientes. É bom porque o tempo todo ela ficou escutando e falando em inglês.

O trial durou duas horas e no fim o chefe a chamou para passar um feedback. Apesar de ter entendido tudo o que os clientes falaram, na hora de falar com o chefe ela não entendeu muito bem. Ou seja, não sabe se o cara gostou ou não. Para não dar na cara que não entendeu, ela usou a minha tática e mandou um OK, Thank you. Acho que elá tá lendo muito o blog.

Aliás, a Dani vai fazer mais alguns trials por esses dias. Na sexta, ela vai no Braza, uma churrascaria brasileira. Fomos lá hoje entregar o currículo e fomos atendidos por um brasileiro, o Fabrizio. Já no domingo, ela vai em outro restaurante, acho que um italiano em Balgowlah, um bairro aqui perto de casa.

Falando em entregar currículo, hoje fui sozinho entregar o meu. Ufa, consegui me comunicar com as pessoas e me candidatei a uma vaga no Manly Grill.

Depois de estudar fui com a Alyne e o Bruno para a Anglicare, a instituição que a gente limpa três vezes por semana. No meio do caminho, avistei uma loja: Dry Cleaners. Falei o nome e a Alyne me perguntou: "você sabe o que é dry?" Enchi a boca e respondi que sim, dry é molhado.

Não, burro. Dry é seco. Na hora só lembrei do Captain, o chefe do restaurante que eu trabalho, me perguntando se as tábuas onde servem as pizzas estavam dry. Elas estavam encharcadas e eu falando que estava dry. Ele deve ter me achado um louco. Chefe, agora já sei, as tábuas estão wet.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Dia 21 - Duzentão

Quando escolhemos a Austrália para fazer o nosso intercâmbio eram muitas as dúvidas. Talvez, a maior delas era como iríamos nos sustentar por aqui. Muitas pesquisas, muitos sites, grupos no Facebook, a gente se virava para descobrir se era possível pagar as contas e, claro, também se divertir.

Não sei se vocês sabem, mas aqui as contas são pagas semanalmente. Ou seja, você pensa que cada semana vai ser uma batalha para conseguir o dinheiro. Mas aí que tá, nem sempre. 

Com o tempo as coisas vão se acertando, você faz amizades, contatos, consegue melhores empregos, seu inglês melhora e sabe até como economizar no supermercado. As etiquetas brancas do Coles, por exemplo, correspondem as promoções. 

Tudo bem que estamos aqui faz 20 dias e ainda não comprovamos dessa tese por completo. Mas não há uma pessoa que fale algo diferente disso, sem contar que temos em casa três exemplos disso. 

Eu pinto, tu pintas, ele pinta...
O Rafa mora aqui há oito anos e já conseguiu até o Sponsor, visto obtido junto a uma empresa e que lhe dá o direito de tirar a nacionalidade australiana. Já a Alyne e o Bruno estão aqui há dois anos e meio. Ela trabalha e faz um curso profissionalizante, enquanto o Brunão, que chegou aqui sem falar uma palavra em inglês, hoje consegue todos os tipos de trabalhos com a sua lábia. Se precisar, ele imita até o Silvio Santos em inglês. 

Bom, mas para exemplificar melhor ainda, nada melhor do que você mesmo ter essa sensação de que o pagamento semanal não será um pesadelo eterno. Hoje, para comprovar a tese que não temos rotina mesmo, não fui à aula para trabalhar e ganhei 200 doletas em dez horas. O que significa que mais da metade do aluguel tá pago. 

A missão era pintar uma casa em Ashfield, um bairro lá perto da City. Fui com o Brunão, meu chefe, e adiantamos bastante o serviço que deve acabar só na quinta-feira. Detalhe: chegamos às 7h e paramos só às 17h. 

O tempo passou rapidinho, até porque eu já pintei umas paredes no Brasil (o meu quarto umas cinco vezes), o Bruno fala português e ainda ficamos ouvindo um sertanejão e Aliados. O problema foi só quando uma mulher apareceu lá falando inglês e o Bruno não tava comigo. Ainda bem que ela não me perguntou nada. 

Fui.

ps. eu te amo, Neguinha.

Minha homenagem pra essa gostosa que
vai deixar a gente morrendo de saudade

domingo, 14 de agosto de 2016

Dia 20 - Um dia de cada vez

Posso falar muitas coisas desses 20 dias em que mudei totalmente minha rotina. Primeiro, parece que faz muito tempo que eu estou aqui. Se tem uma coisa que eu não tenho problema é com adaptação. Tirando o inglês, que ainda está engatinhando, já me sinto quase um aussie.

"Olha aqui a foto deles. Ela não é Linda?"
Posso contar pra vocês também sobre a saudade que sinto da família, principalmente da mamãe. Parece que não a vejo há anos, mas sempre que posso faço um Facetime e dá pra matar aquele 1% da saudade. 

Por falar em saudade, hoje é Dia dos Pais no Brasil. E mesmo sem poder contar todas essas novidades pro Nono, eu sei que ele tá me acompanhando e se enchendo de orgulho de mim. Certeza que ele tá contando pra alguém: "O meu filho tá morando na Austrália. É... foi lá aprender inglês, foi com a namorada, a Dani. Olha aqui a foto deles. Ela não é linda?". 

Se por um lado a saudade aperta, por outro muitas coisas boas acontecem. A melhor, talvez, seja a falta de rotina. Claro que ainda temos o dever de ir à escola todos os dias da semana, mas o pós-aula é sempre uma novidade. 

Um dia a gente sai entregando currículo atrás de emprego, outro dia vai no supermercado, ou então podemos ir conhecer uma nova praia, um shopping, talvez um parque. E porque não dormir? Ou tirar a tarde para estudar ou escrever no blog?

O fato é que nem nos finais de semana as coisas são iguais. Hoje é domingo e a Dani foi fazer um trial lá na City. Pela primeira vez ela colocou a mão na massa de verdade por aqui. Foi bom para ela se sentir útil, como ela mesmo disse. O teste foi num café bem movimentado, onde ela fez de tudo. Atendeu, serviu, lavou e secou. Parabéns, Mozão. 

Enquanto isso, eu fiquei em casa. Ontem ainda depois de todas aquelas aventuras (leia aqui) ainda fui fazer um cleaner com o Brunão e a Alyne. Até queria ir com a Dani, mas aproveitei para descansar.

No trabalho, tudo tranquilo. Já que hoje não teve nenhuma aventura, vou aproveitar para contar rapidinho como trabalhar me ajuda no inglês. É assim: eu penso no que quero falar para os meus coleguinhas e já vou mentalizando como vou conversar sobre isso com eles. Ontem esqueci meu jantar, uma cortesia que todos os funcionários ganham, e queria falar sobre isso. 

"I forgot my food here yesterday". Assim, começo a pensar e criar uma conversa na minha cabeça e vou lembrando e acrescentando novas palavras ao meu vocabulário. Geralmente faço isso durante os 20 minutos de caminhada que tenho de casa até o restaurante. 

O único problema é se eles falarem algo diferente do que eu treinei. Aí eu mando um OK e já era. Beijos, fui. 

sábado, 13 de agosto de 2016

Dia 19 - Saia-justa³

Sabadão, cervejão, só que não. Mais ou menos, vai. Aproveitamos o dia para conhecer mais uma vez o nosso quintal, ou seja, as praias aqui por perto. A Dani foi mais cedo com a Alyne e fez o caminho que eu conheci na quinta enquanto ela fazia o curso do RSA. Claro que ela se apaixonou também e fez uns 549 snaps.

Eu desci mais tarde com o Rafa e encontramos elas no Wharf. O Wharf (cais em português) é onde chega o Ferry que leva e traz o pessoal pra City e outros lugares. O cais é bonitão, cheio de restaurantes, lojas, um cartão postal aqui de Manly.

De lá fomos para a farofada, mas que aqui é normal. Passamos no Coles, o supermercado, compramos uns aperitivos, água de coco e tocamos para mais um dos cartões postais de Manly. Desta vez, fomos conhecer Shelly Beach, uma prainha sensacional com uma paisagem que deixa você besta de tão bonita que é. A sensação é que você tá perdendo algum detalhe ainda mais bonito.
Nosso pic nic em Shelly Beach

Em algumas praias, como a de Shelly, as pessoas podem e fazem churrascos em umas churrasqueiras comunitárias. Você chega com a carne, acende o fogo e manda ver. Só precisa ter bom senso e não ficar ocupando-a por muito tempo, uma vez que muitos querem fazer o seu churrasquinho.

Falam também que essa praia tem um Sunset incrível, mas que eu não pude ver. Entrei às 5 pm no restaurante e tive que sair mais cedo. A Dani, Alyne e o Rafa continuaram lá comendo uma bolacha que a Dani adorou, mas tem gosto de massa de bolo de chocolate. Você que já se aventurou na cozinha certamente vai saber do que eu to falando.

Aproveitei e fiz minha primeira corrida por aqui. Foram 18 minutos até em casa, com direito a ladeira e tudo, mas cheguei vivo. Aliás, muita gente corre ou pratica algum esporte por aqui.

Bom, mas cadê as saias-justa? Vamos lá. O dia parecia normal no Manly Pizza Wine, estava eu lá lavando minhas louças, quando a Isis me pediu para ir até o Coles comprar dois packs de refrigerantes, um de Coca e um de Sprite. Fui lá correndo e como não tinha pack, peguei seis garrafas de Coca e seis de Sprite. To certo?

Negativo. Cheguei felizão e ela me pergunta: "Não tinha latinha?". Respondi que devia ter, mas que pack para mim era de garrafa. "Putz, vai lá e tenta trocar", me pediu. Beleza, restaurante lotado, a louça já bombando, lá vou eu trocar. O problema não é voltar, nem carregar as garrafas e muito menos lavar tudo correndo depois. O dilema era como falar que preciso trocar essa porra.

"I need to change the bottles for cans". Fui com a frase decorada e só queria que o cara falasse que tudo bem. Eu entenderia. O primeiro até me disse isso, mas o segundo começou a me fazer mil perguntas. Chamou um outro lá que me perguntou se eu falava italiano. Pensei: filho, se nem o inglês tá saindo, imagina o italiano. Ele me levou até as latinhas e conseguimos resolver tudo na mimica. Essa não falha nunca.

Voltei pro restaurante e todos respiraram aliviados, afinal a galera tava querendo refri, a louça tava gigante e elas sabiam que o inglês ainda não é o meu forte. Voltei pra labuta, tudo sujo. Pensei, vou lavar um pouco de cada. Tava funcionando até que a Larissa, manager do restaurante, resolveu me pedir alguma coisa.

Na confusão, no barulho, consegui entender um "glass". Putz, ela quer copo, copo, copo. Dei um copo pra ela, mas ela queria "wine glass" e me mostrou uma taça de vinho. Tinham umas lavadinhas, dei a ela e até ganhei uma piscadinha. Ufa. Depois já fiquei ligado e pensava no que ela podia me pedir, até que veio um "plate, more plate". Mais uma etapa superada.

Mas tinha mais uma. Olhava pro lado e via três pilhas de prato, todos os talheres sujos, um monte de pote, panela. Eis que o chef italiano, o Michele, me chama, enquanto passava manteiga num pão, uma entradinha servida pela casa. Não entendi nada que ele falou, mas sabia que ele tava me perguntando algo e falei: Yes. Ele então emendou um: "Where". Pensei onde o que? Fudeu! Sem pestanejar falei: No, no. I don't know.

Nisso, o outro chef, o Mauricio, que sabe que eu aceito tudo, mas não entendo nada, já foi tratando de procurar o que o Michele queria: a faca que eles usam pra passar no pão. Ganhei mais uma piscadinha, dessa vez do Mauricio como quem diz: deixa comigo. Valeu vagabundo, umas das palavras que ele sabe falar em português.

Sai às 11 pm e segundo as contas que fiz já estou perto de lavar em duas semanas mais prato do que lavei nesses 28 anos de vida. Beijos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Dia 18 - Jackie Chan

Fim de semana. Ontem esqueci de contar que recebi meu primeiro feedback e os resultados dos testes feitos durante as duas semana de aula. O Matt foi chamando um por um para uma rápida conversa, onde perguntava quais os nossos planos na Austrália, nossas impressão sobre as aulas, entre outros.

Disse a ele que estou melhorando, entendendo cada vez mais. Na gramática e na escrita até que eu me viro bem, o problema mesmo é o listening e a conversa. Prova disso, foram as minhas notas: Grammar (65%), Reading (70%), Writing (60%), Listening (38%) e Speaking (25%).

O início do nosso passeio
Tava pensando aqui e se tivesse a opção Dreaming (Sonhando) eu ia tirar 100%. É muito louco, não sei se acontece com as pessoas que estão aprendendo outro idioma, mas vários dias eu sonho em inglês. São várias as situações, mas sempre eu estou lá quebrando a cabeça para me comunicar com alguém. Na verdade, é igual a vida real.

Hoje não tivemos aula, foi dia de passeio com os colegas de classe. A turma da Dani foi conhecer algumas praias como Dee Why e Curl Curl, enquanto eu e meus amiguinhos fomos conhecer o Museu da Austrália, lá na City. Foi muito legal.

Logo na chegada do Ferry, o Matt levou a gente até o Opera House para tirar fotos. É muito bonito e o que tem de louco caçando pokemon não dá para escrever. Além de toda a beleza, ainda pudemos ver de longe o Jackie Chan, aquele mesmo dos filmes que passa na Sessão da Tarde desde que você tinha 5 anos de idade. Ele tava lá em cima do Opera House gravando uma cena para algum filme dele.

O museu é demais também. Tem um monte de animalzinho empalhado, aranha, barata, leão, tigre, todos os passarinhos, dinossauro e até uma mumia. Imaginei a festa que deve ser a noite quando todo mundo vai embora. Deve ser uma fofoca só.

A Dani em Dee Why, eu acho
O almoço também foi diferente, compramos um lanchinho e fomos todos comer no parque, sentadinhos na grama. É muito legal e já faz parte da cultura do pessoal aqui. Falando em culturas diferentes, o Daniel, my korean friend, me perguntou como falavam algumas coisas em português. Claro que ele quis aprender os palavrões.

Eu aprendi em coreano o Vai tomar no ... E gritei umas três vezes na rua para o desespero do Daniel, que só falava "No Man, no man".

Bom, agora vou lá lavar umas louças no Manly Pizza Wine e depois vamos todos pro Steine, um bar famosão aqui, com vários ambientes e onde a galera costuma fazer novas amizades. Aliás, aqui tem muito disso. Você vai no bar sozinho e do nada chega um australiano perguntando como foi o seu dia, o que você faz e meia hora depois já parecem melhores amigos.

O Steinão, como o Bruno chama, merece um post especial.

See you.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Dia 17 - RSA

A semana passa muito rápido, já é quinta-feira. Quem mora aqui diz que é porque a segunda-feira não é tão dolorida como no Brasil. Na verdade, no Brasil, acho que o sofrimento começa já no domingo, quando você liga a TV e já acabou o futebol e tá passando o Faustão. Quando tá nos gols do Fantástico então, bate aquela tristeza e você vira pro lado pra acabar com aquilo de uma vez.

Umas das telas do curso do RSA
Eu que gosto de assistir TV, por aqui pouco vi. Na verdade, só parei pra ver mesmo a abertura das Olimpíadas. Às vezes to escrevendo no blog e deixo a TV ligada só para as palavras irem entrando na minha cabeça. Dizem que funciona.

Como prometi, vou contar como foi o curso que a Dani fez hoje. Depois da aula, ela saiu de Manly e foi direto pra City com a Marcela, nossa amiga da escola. Ela é de Salvador e chama todo mundo de amado e amada.

Essa amada não tinha ido pra City ainda e no caminho a Dani foi mostrando onde era o Opera House, a Harbour Bridge e outros lugares que a gente já conhece. Isso é legal, porque a gente vai aprendendo as coisas e passando informação pra frente. Não vejo a hora de levar minha mãe e meus amigos pra passear aqui e ir contando as coisas que aprendi.

O curso chama-se RSA (Responsible Service of Alcohol). É uma certificação obrigatória para todas as pessoas que vão trabalhar em estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas. O preço varia entre 110 e 140 doletas australianas e a duração é de um dia. No caso da Dani e da amada, que fizeram no CBD College, uma tarde/noite, das 3 pm às 10 pm. Puxado.

Lá, elas aprenderam que não se pode vender bebida para menores de 18 anos, mas se você é um coroa enxuto e aparenta ter menos do que 25, eles vão te pedir algum documento. É uma margem de erro pra eles não venderem bebida para menores. Aprende também que bebado não entra nos Pubs e que a culpa dele estar assim não é dele, e sim do bar que vendeu muita bebida pra ele.

Turistando aqui em Manly
Para ser aprovado, você precisa acertar nada mais, nada menos do que tudo. Mas não precisa ter medo. Apesar do curso ser todo em inglês, o professor deu vários "bois" pros alunos, que iam completando o teste conforme ele explicava a matéria. Assim ficou fácil e mesmo com todas as questões sendo dissertativas, elas foram aprovadas e já receberam o certificado via e-mail.

A Dani contou que do lado dela tinha uma japinha que parecia ter saído de um Manga, aqueles livrinhos de histórias em quadrinhos que se lê de traz pra frente. Ela dormiu o curso inteiro, mas deve ter sido aprovada também.

Bom, me empolguei e escrevi muito. Mas só pra resumir, enquanto a Dani tava lá aprendendo eu fui com a Alyne conhecer umas praias aqui perto da onde a gente mora. Sensacional, diga-se de passagem. Tem umas casas de cinema, piscinas nas praias, lugar para caminhar... um dia conto melhor.

Beijos

ps. usei uma bermuda pela primeira vez aqui.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Dia 16 - Egali e o Opera House

Olha, acho que o frio está indo embora de verdade. Hoje, nada de vento por aqui e fez um dia bonitão, gostosão mesmo. Aproveitamos e fomos até a City para resolver algumas coisas que estavam pendentes com a nossa agência.

Viemos pela Egali e por enquanto nota 10 para eles. Quem recebeu a gente aqui foi a Carol e no Brasil fomos atendidos pelo Matheus, que fica no Sul. Em Santos, fechamos a viagem com a Mayra, mas ela não está mais lá. Enfim, entre tantas reclamações que ouvimos da Egali, faço questão de agradecer a ajuda que nos foi dada até agora. 

Na agência pegamos o nosso cartão do banco. Agora, só falta o dinheiro. No final de semana, devo ganhar mais uns trocados, já que hoje passei para falar com o Captain e ele me escalou para sexta e sábado. Nunca lavei a louça com tanta vontade. Modéstia a parte, as panelas nunca foram tão limpas. Não vejo a hora de dar aquela aerada na frigideira. 

Dani no Opera House
Na visita pela City, tivemos certeza que fizemos a escolha certa ao vir para Manly Beach. Lá é aquela loucura, trinta mil pessoas para atravessar a rua de uma só vez, muito prédio,muito asiático (nada contra os amiguinhos de olho puxado), muito tudo e hoje vi até um cara de cueca. Isso mesmo, de cueca. Louco. Como eles costumam dizer aqui: a city é muito busy, parece que tá todo mundo ocupado e correndo sempre, tipo Nova York. Não, péra, eu nunca fui pra Nova York. Então é igual São Paulo mesmo. 

Para sair de Manly Beach e ir para a City, você tem duas opções. Ou pega um ônibus que demora em média uns quarenta minutos, ou vai de Ferry, uma balsa para pessoas, bike, skate e afins, que te deixa lá em meia hora com direito a uma paisagem deslumbrante. Tem ainda o Fast Ferry, um pouco mais caro, mas também mais rápido. Com ele, a viagem demora quinze minutos. 

Decidimos ir de Ferry, o normal, e para nossa surpresa a viagem de ida foi de graça, pois a máquina para carregar o OPAL, cartão transporte daqui, estava quebrada. Aqui é assim, se o consumidor não pode usufruir do serviço, ele nunca sai perdendo. 

O melhor do dia, no entanto, foi na volta. Chegamos para pegar o Ferry às 17h34 e o próximo sairia pontualmente às 18h. Aproveitamos e fomos até o Opera House, ali do lado. Não chegamos pertinho, pertinho, para não perder o Ferry, mas a ida rendeu boas fotos e uns bons vídeos no Snap (vitor-pajaro e danielaxavierr). Olha, o negócio é bonito mesmo. 

Amanhã conto pra vocês como foi o curso que a Dani vai fazer. Chama-se RSA, obrigatório para quem vai trabalhar em bar que comercializa bebida alcoólica. 

Beijo, se cuida Tete. Love you. 

Dia 15 - Suuuuugar

Importante dizer que a nossa busca por emprego já começa a surtir efeito. A Dani vai fazer o seu primeiro trial na semana que vem. O teste será no Wharf Bar, um restaurante bonitão, todo envidraçado e com vista para o mar.

Ela ficou felizona porque a menina atendeu ela super bem e ela conseguiu entender tudo, além de conseguir responder. Tudo bem que ela saiu da mini-entrevista suando como se estivesse no verão da Bahia. Até pensei que fosse a Sheila Mello depois de dançar as 15 músicas daquele CD do É o Tchan na Selva. Mas deu tudo certo.

Hoje também passei pelo Manly Pizza Wine e recebi pelos serviços prestados no final de semana. O Captain (descobri que o nome dele é Adrian) gostou dos pratos lavadinhos por mim e quer que eu volte aos finais de semana. Good.

Vou falar um pouco da escola de novo. A gente estuda na Navitas e as aulas com o professor começam às 8:20 am e vão até às 10:20 am. Depois, das 10:40 até as 11:40 am, nós temos o My Study, onde você pode escolher o que quer melhorar. Existem aulas de listening, grammar or pronunciation. Mas se não quiser nenhuma dessas, você também tem a opção de estudar sozinho no computador.

Para isso, basta acessar um sistema com o seu login e senha. São várias ferramentas e você escolhe o que preferir. Eu já escolhi a minha preferida, chama-se Lyrics Training, que me lembra o Qual é a Música, aquele programa do Silvio Santos.

Aqui você não precisa acertar a música em si, mas sim completar a estrofe com a palavra correta. Tô há três dias tentando bater o recorde de pontos da música Sugar, do Marron Five. Coloco o fone de ouvido, me desligo do Mundo e som na caixa. Às vezes a Dani me dá umas broncas porque tô cantando a música um pouco mais alto. Mas pô, faz parte: SUUUUUGAR! Yes, please.

Com vocês, o lyrics training
Bom, além da minha cantoria, hoje também fiz dois testes. O primeiro, de gramática, acertei 39 de 60 e o outro, de leitura, sete de 10. Achei bom. Amanhã tem mais um.

Sobre os meus cortes na mão, importante dizer que eles já estão curando. Sobre o almoço de amanhã, eu fiz uma batata doce com frango, já que a Dani ficou a tarde/noite estudando pra um teste de gramática.

Bom, vou ali limpar um escritório com o Bruno e a Alyne e nos falamos amanhã.

ps. Gostaram do novo layout?

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Dia 14 - Procurando emprego

Bom, antes de tudo queria falar que o blog tá tendo mais audiência do que eu imaginava. Quando passo pelas situações por aqui já penso em como vou contar, observo o máximo de detalhes e ainda tiro uma foto. Espero ter tempo para continuar escrevendo.

Hoje fez um dia bem gostoso por aqui, parece que o frio está indo embora. Mesmo assim, nada de calor, mas pelo menos já está dando para ir a escola com só uma calça e não duas, e sem aquela segunda pele e dois casacos. Um já resolveu o problema até porque aquele vento que congela a alma também não deu as caras. 

Na minha classe entraram mais dois brasileiros hoje, provando que "é nóis que manda aqui". Tô pensando em chegar na aula amanhã e só avisar o Matt que a aula vai ser mesmo em português. Cansei de não entender nada. Deixa que a gente se entende, Fera. É, acho que não é uma boa ideia. 

Hora da foto em Manly Beach
Enfim, depois da aula saímos com o currículo da Dani na mão e fomos distribuir nos restaurantes. Ahhhh, se eles soubessem o quanto essa mulher é sensacional, contratariam na hora. Porém, como eu não posso nem falar isso (eles não me entenderiam mesmo), deixei ela ir sozinha enquanto eu ficava na porta. 

Aqui, funciona assim, na cara de pau mesmo e se você não der as caras não vai arrumar nada. É aquele velho ditado: quem não é visto, não é lembrado. Fomos em uns dez lugares, desde cantina italiana, culinária mexicana, barzinho de praia e até um restaurante grego. Todos foram simpáticos e aceitaram o currículo. Já devem estar acostumados. 

Feito isso, aproveitamos o dia bonito e o solzinho para tirar umas fotos na praia e mandar pra família. A volta pra casa, depois das compras no supermercado, foi de novo de Hop Skip & Jump, aquele buzão de grátis.

Tirei uma soneca quando cheguei e quando acordei a Dani já tinha feito o almoço de amanhã. Vai vendo, a menina tá aprendendo. O menu de hoje foi arroz, purê de batata e carne moída. A receita você encontra no site da Ana Maria Braga. Corre lá.

Beijos.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Dia 13 - Aprendendo o verbo cortar

Domingão. Hoje é o nosso primeiro em Manly. Na verdade, nos chegamos aqui no final do domingo passado às 10 pm, hora que muitos australianos já estão no décimo segundo sono. Ainda bem que moramos com brasileiros, mas o fato é que as coisas aqui acontecem bem mais cedo e é muito fácil você querer ir dormir antes das 11 pm, coisa que para mim no Brasil era quase impossível.

Dani Kamura de Biagi
As lojas do shopping, por exemplo, fecham as 5 pm, exceto um dia da semana (geralmente quinta-feira) em que eles esticam o expediente até mais tarde. Nesse dia, todos aproveitam. Os mais ocupados usam o tempo para irem as compras e os proprietários tendem a lucrar mais.

Fomos ao shopping na última quinta-feira e vimos uma fila imensa, tipo de banco, para cortar o cabelo por 25 doletas australianas. Parece que o cara é fera, talvez o Jassa, Marco Antônio de Biagi ou o Celso Kamura da terra dos cangurus. Até pensei em voltar lá para cortar o meu, mas para que gastar dinheiro se vou passar a máquina e posso fazer isso em casa.

Aproveitei que o Rafa tem uma máquina aqui em casa e convenci a Dani a se aventurar. Quase mudei de ideia quando ela perguntou uma coisa meio óbvia. "Eu uso a máquina assim ou assim?" Deus me proteja.

"Ai gente, eu não sei, me ensinem", respondeu ela depois que eu, Rafa e a Alyne fizemos cara de espanto após aquela indagação. A cara dos dois para mim dizia: tem certeza que você vai fazer isso?

Eu tive certeza e deu tudo certo, ficou ótimo, ainda economizei 25 mumus, mas desisti de raspar tudo. Fica para próxima. Agora, todos comigo: She cut my hair. Ou seja, ela cortou meu cabelo.

Com cabelo cortado e mais um verbo na lista do meu vocabulário, lá fui eu para mais um dia de louças e louças para lavar no Manly Pizza Wine. Hoje entrei às 7 pm, já que o movimento do domingo é mais tranquilo.

Tudo certo, adiantado, sem problemas, já estou pegando as manhas. Mas putz, eu tinha que treinar o meu vocabulário, né? Os chefs italianos quiseram limpar a cozinha e lá fui eu ajudar a subir uma puta de uma bancada de inox, pesada pra dedeu. O italiano começou a gritar "giù, giù, giù". E eu lá vou saber que essa porra de giù, significa desce, para baixo, algo assim. Não entendi nada na hora e a mesa escorregou gostoso pela minha mão.

A verdade é que me senti na aula. Aprendi o verbo a tarde e depois precisei empregar em outra frase. Todos comigo novamente: I cut my hand. Ou seja, eu cortei minha mão. O corte não foi dos mais profundos, mas quem me conhece sabe que sangue não é comigo. Tive que sentar, tomar um balde de água e tudo bem. Dona Tete, I hope that this doesn't cut your heart.

domingo, 7 de agosto de 2016

Dia 12 - O cachorro motorista

Hoje foi dia de acordar meio dia. Depois de horas lavando prato, consegui descansar e me preparar para mais um dia de dish washer. Entrei as 5 pm de novo, mas antes disso fui com o Bruno levar a Dani e Alyne para ver a apresentação do Rafa. Ele faz um curso de teatro e hoje se apresentou em um espetáculo lá na City.

No meio do caminho passei pela Catholic St Therese Church e a saudade que estou da dona Tete deu uma impulsionada. Tirei uma foto e mandei pra ela. Ela gostou, está se virando sem mim e pelo que me parece está fazendo a parte dela do combinado.

Bom, mas voltando para cá ainda não me acostumei com as pessoas dirigindo do lado contrário. As situações inusitadas são diversas. Logo que cheguei vi um cachorro no que seria o banco do motorista no Brasil e pensei: "que porra é essa?" E quando não tem ninguém dirigindo? Que moderno! Não, burro, o motorista é do outro lado.

Depois de deixar as meninas no teatro, voltamos para casa e o Bruno logo foi trabalhar. Hoje ele é chef de um restaurante mexicano e pintor nas horas vagas. Mas também já foi cleaner, removal (faz mudanças), churrasqueiro, cozinheiro, jardineiro, carpinteiro, promotor de eventos e etc. O moleque é liso, famoso Severino, o quebra-galho.

Ah, já ia esquecendo. Como eu já disse outro dia, aqui as pessoas doam as coisas. Muitas anunciam, mas algumas colocam na rua uns armários novinhos, sofá, mesa, cadeira, criado-mudo, tudo mesmo. Eles chamam isso de clean up e o nosso colchão é fruto disso.

Funciona assim: algumas regiões definem uma semana certa para você se desfazer das coisas. Essas datas são divulgadas e os interessados vão até os locais para ver se alguma coisa interessa. Nós, por exemplo, estamos atrás de um armário ou gaveteiro e uma base de uma cama. Passando por Mosman, um bairro vizinho, vimos uma base de uma cama ideal para nós. Só não pegamos porque o Bruno tava atrasado. Mas tudo bem, teremos outras oportunidades.

No trabalho, hoje foi mais tranquilo, afinal o Steve só faz 30 anos uma vez na vida. O Captain me pediu para voltar amanhã às 7 p.m. Aceitei.

Já em casa, vamos jantar. O Bruno trouxe comida mexicana e eu mais uma pizza que ganhei com outra cerveja. See you later.

Dia 11 - The Captain

Hoje comecei a ter uma noção de como é a vida do estudante vindo de fora e que precisa pagar as contas ao fim de cada semana, no nosso caso a cada 15 dias. Como tinha falado pra vocês, fui lá no restaurante italiano, o Manly Pizza Wine, fazer o teste para ser dish washer.

Lavar prato não tem muito segredo, mas aqui eles usam uma palha de aço para tirar o grosso, empilham tudo numa espécie de escorredor que vai para dentro de uma máquina. Enquanto ela trabalha, você já vai empilhando o resto em outro escorredor. Em cinco minutos, tudo limpo e você já enfia os sujos outra vez. E assim vai.

O trabalho em si não tem segredo, mas eu precisava falar ou pelo menos entender o que o dono do bar e os chefs italianos me pediam.

O combinado era que eu chegasse às 5 pm, mas como estava chovendo e já eram 3:30 pm eu resolvi ir direto da escola. Normalmente, ele abre às 5 pm mesmo, mas hoje como teve uma reserva (booking) no almoço, eles abriram mais cedo e já estavam lá.

O Captain de costas discursa na hora
do Parabéns do Steve
Quem me recepcionou foi a Isis, minha amiga que me indicou. Ela trabalha lá há nove meses e atende os pedidos, serve, faz de tudo. Tem também a Juliana, outra brasileira de São Paulo. Ainda bem que elas estão ali, porque logo depois o Captain chegou. Foi assim que o dono do restaurante se apresentou quando eu falei: I'm Vitor, nice to meet you.

A Isis serviu de tradutora e passada as apresentações iniciais eu emendei um "Can I help you with something right now?" Fiquei me perguntando porque eu falei isso, já que se ele respondesse dificilmente eu ia entender. E foi o que aconteceu. Ele pediu pra eu juntar as cadeiras e eu não entendi nada. Precisei da minha tradutora de novo.

Os chefs da cozinha, como não poderia ser diferente, são dois italianos: Michelle e Mauricio. Me apresentei e o Mauricio, um careca barbudo gente boa, foi me explicar como mexia na máquina. Ainda bem que ele ia falando e fazendo, porque entender eu não entendi nada. Quando ele perguntava algo eu respondia com um simples "Ok, man".

Feito isso, mão na massa. Ou melhor na água. Nunca lavei tanta louça na minha vida. Além do movimento normal do restaurante, hoje foi aniversário do Steve, filho do Captain. A cerveja era de graça para os cerca de 25 convidados, que comeram diversas pizzas. Na cozinha é assim: O Mauricio faz a pizza, o Michele as massas e o Captain fica fazendo o meio de campo distribuindo e ajudando quando for preciso.

Quando deu umas 10:30 pm o Captain veio me perguntar se eu estava livre para trabalhar amanhã. Entendi e disse que sim. Ele me agradeceu, disse que eu fiz um bom trabalho e ainda me ofereceu uma cerveja. Ele parece ser gente boa, um dia quando eu conseguir conversar prometo agradecê-lo e mostrar que eu também sou um cara legal e não apenas um bom lavador de pratos. Agora, o máximo que consegui dizer foi um: "I am happy to come back tomorrow. Tks".

Sai às 11:30 com mais duas cervejas e uma pizza de presente. Partiu comemorar.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Dia 10 - Um trial

Esqueci de falar. Amanhã vou fazer o meu primeiro trial aqui. É tipo um teste que você faz nos lugares que você quer trabalhar pro chefe te avaliar. Você combina um determinado período e ele te paga por isso. Por exemplo: indicado por uma amiga, a Isis, eu vou num restaurante italiano para concorrer a uma vaga de dishwasher, mais conhecido como o lavador de louças. Ele vai me pagar e depois me dizer se gostou e se quer que eu volte. Treinei muito isso no Brasil.

Nossa cama com tudo novo
Na escola, a dificuldade pra entender a aula do Matt continua. É muito louco porque na minha classe tem quatro brasileiras e muitas vezes elas falam comigo, eu entendo, mas não respondo nada ou falo OK. Antes que elas pensassem que eu sou um idiota ou um mal educado, eu já avisei que se eu não responder alguma coisa é porque eu não sei. Sorry.

E quando o Matt olha pra mim com aquela cara de que vai te perguntar alguma coisa, sabe? Eu já olho pro lado, pra dar aquela engabelada, mas hoje não teve jeito. Vitor, me diga o que está achando e fazendo da vida em Manly, ele me perguntou. Travei e só disse que entendia ele, mas que não conseguia formar uma frase para respondê-lo. É errando que se aprende. Fale e erre, sugeriu ele.

Em casa, subimos o colchão que ganhamos do Bruno, mas antes disso fomos até o Warringah Mall com a Alyne, um shopping a céu aberto. Fomos atrás de uma coberta, lençol, fronha, essas coisas. Tem duas grandes lojas de departamento, a Target e a Big W. É tipo C&A, Pernambucanas. Compras feitas e a cama ficou top.

Estudei um pouco em casa com ajuda da Alyne e já estou preparado para as próximas perguntas do Matt. Agora termino por aqui, porque vou ajudar o Bruno e ganhar mais 20 doletas em algum job por aí.

Beijos, saudade Tete.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Dia 9 - Uma cama, uma chuva and free transport

A chuva de ontem continuou hoje e sem guarda-chuva já estávamos nos preparando para chegar na escola daquele jeito. Mas como eu sempre falo pra Dani, no final dá tudo certo. O Bruno, nosso flatmate, estava saindo pra trabalhar e levou a gente até lá embaixo na escola.

Digo lá embaixo, porque nosso bairro aqui é Fairlight, muito simpático por sinal, e para chegar no centrão de Manly é preciso descer uma bela de uma ladeira. Mas em 20 minutos de caminhada a gente chega lá. Na volta, a missão é um pouco mais difícil, mesmo assim a Dani faz questão de subir a pé para compensar a falta da academia. Entretanto, com essa chuva de vento nosso guarda-chuva novinho corre risco de vida. 

Dani e o Hop Skip & Jump
Querem mais uma prova de que as coisas no fim sempre dão certo? Se de manhã o Bruno apareceu, a tarde foi a vez da gente experimentar o Hop Skip Jump! Ele é um ônibus que deixa a gente quase na porta de casa e o melhor é que ele é totalmente grátis. Muito louco, né? Funciona assim: ele passa de meia em meia hora, sempre pontualmente aos 14 ou 44 minutos de cada hora, ou seja 12h14, 12h44, 13h14... 

Andamos dois pontos e já estávamos na esquina de casa: Next stop, please. Você pede e o motorista para te desejando uma boa noite. No nosso caso era um velinho, meu parça, gente boa. Valeu vovô, agradeci.

Putz, além do frio e da chuva, esses dois últimos dias tá um vento do cão aqui. As janelas aqui de casa até balançam. Eu e a Dani ficamos nos perguntando como essas árvores não caem. Pensei: o jardineiro é Jesus e as Árveres somos nozes. Lembram disso? Rssss

Mas beleza, depois dessa piada preciso falar que o Bruno apareceu de novo e dessa vez numa mensagem no Face: Fala ai Vitor, tudo joia? Cara, arrumei um colchão de casal. Não é novinho, mas eu trouxe pra casa pra vocês. Está lá embaixo, na garagem. Depois te ajudo a subir. 

Para um casal que não tinha cama, tava dormindo cada um em um colchão, no chão, não tinha guarda-chuva na chuva, tinha que subir ladeira na chuva, ia chegar em casa molhado da chuva... isso é dia de maldade. É nada, já falei pra Dani, no final tudo da certo.