quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Dia 51 - Vitor ou Victor?

Hoje foi dia de aula com a diretora, a Victoria, minha quase xará. Aliás, não sei porque os gringos me perguntam se meu nome é Vitor ou Victor. Eles sempre me chamam de Victor (um som parecido com Viktchôr). Tudo bem, até porquê aqui quase todos os nomes mudam e exemplos não faltam.

O da Dani não muda muito, mas o som do D sai como se tivesse acompanhado por um "s" talvez. Algo parecido com Dsãni. O Leonardo, da minha classe virou Liôu, o coreano Daniel é chamado de Deniél e o Mateus aqui vira Matius.

Os gringos também tem dificuldade com a consoante seguida de R. Assim, a Adriana virou Eiduriana e o Bruno, meu flatmate, é Buruno. O melhores exemplos, porém, são Alyne e Edilane, que aqui são conhecidas com Aláine e Édlan. Vai entender, as mães preocupadas em escolher o nome e basta o filho sair do país para alguém mudar sem nem pedir autorização. Mas convenhamos que algumas vezes o nome fica até mais bonito, né Edilane?

Victoria, a diretora
Voltando pra aula, dá pra ver que a Victoria sabe das coisas. A aula é muito boa, bem didática, mas, por vezes, ela fala muito rápido. Ainda prefiro a Sunita. Outra coisa, quem sou eu para julgar alguém, mas não imaginava que a diretora viria dar aula com a barriga de fora. Coisas da Austrália.

Falando em coisas da Austrália, que tal um churrasco grátis? Hoje depois da aula fomos até Shelly Beach, onde uma escola de surf organizou um churrasco free e chamou os alunos de todas as escolas aqui de Manly. O objetivo é fazer novos contatos para atrair novos alunos. Tudo bem que o churrasco foi de salsicha no pão de forma, um pouco de difícil para comer, mas valeu pela companhia e pelo vista do local. Vocês precisam conhecer Shelly Beach.

Durante o churrasco, incluímos o Deniel no futebol. Na verdade, foi só uma altinha ou lelê. Ele foi um desastre. Impressionante como o brasileiro é diferente em alguns aspectos. Claro que tem brasileiro ruim de bola, mas o coreano ruim de bola é muito pior. Parece que o cara nunca viu uma bola e o fato dela ser redonda atrapalha e muito.

E isso não é só para coreanos. Outro dia na festa brasileira, a Dani tentou ensinar as suíças a dançar. Mexe esse quadril, menina. A impressão que dá é que existe uma ligação do pescoço até o pé. Ou seja, zero requebrado. E na hora do forró? A falta de coordenação delas é uma coisa inexplicável.

Que fique bem claro que isso não é uma crítica aos gringos. Existem várias coisas que eles devem fazer e que nós brasileiros nem imaginamos como. Mas uma coisa é certa: eles (a maioria) gostam da gente, querem aprender, são atenciosos e bons "alunos". O prazer é todo meu.

Beijos, Brasil, Austrália, França, Estados Unidos, Irlanda, Alemanha, Espanha, Portugal, Coreia do Sul e Reino Unido. Ou seja, todos os países que pelo menos uma pessoa já acessou o blog. Fui.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Dia 50 - Um alô em inglês

Muita dor nas costas. Não sei se é do colchão, se é mau jeito ou do trabalho. Talvez seja velhice no auge dos meus 28 anos. Mas uma coisa é certa. Nos primeiros meses de Austrália você descobre dores em lugares que você nem sabia que existia.

Estamos andando bastante e para a nossa felicidade temos uma bela de uma ladeira para encarar no caminho de volta da escola. Dói costa, dói joelho, dói canela, dói tudo. Lembrei que comprei um relaxante muscular para dormir no avião. Ufa, deve dar uma aliviada na dor.

Logo chegando na escola meu telefone tocou. Putz e agora? Número desconhecido. Já sei até quem é. É a mulher da empresa de cleaner que eu me cadastrei e que ontem me mandou uma mensagem dizendo que queria falar comigo. Seja o que Deus quiser.

Dê, já te considero pacas
A - Hello!
B - Hi Vitor, my name is Denise, of Absolut Domestics. Do you have two minutos to speak with me?
A - Yes, sure.
B - Good. Do you have a car?
A - No.
B - Whats your availability?
A - Currently, I work on weekends 5pm and I study in the mornings.
B- Whats time of your class?
A - Starts 8 am and finishs 2:30 pm.
B - Unfortunately, I need someone free in the mornings. Thank you anyway. I'll call you at another time. 
A - No worries. Thank, see you.
B - Bye Vitor.

Mesmo não conseguindo o emprego, eu consegui entender tudo que a Denise (já tô íntimo) me disse. Mal sabe ela que fiquei felizão só de conseguir entender o que ela falou. Valeu Dê, já te considero pakas.

A aula de hoje mais uma vez foi com a Sunita, mas infelizmente ela não será minha professora por muito tempo. Ela vai sair de férias e nos próximos dias a diretora, Victoria, é quem dará a aula. Vamos aguardar. Nesse troca-troca, a Dani vai ter um novo professor amanhã. Uma chance para adivinhar: começa com M e termina com att. O próprio.

Cheguei da escola e fui tentar começar a ler o livro. Na introdução... eu capotei. Na escola já tava pescando e só depois que acordei que fui lembrar do remédio que no avião não me ajudou em nada, mas hoje me de um sono de lascar.

A Dani, firme e forte no projeto verão, foi correr e hoje fez 10 km pela primeira vez aqui. Congratulations. Enquanto isso, eu já tinha acordado para fazer o cleaner na Anglicare. Antes conheci a Bunnings, uma loja de departamento com tudo de material para construção, tipo uma C&C da vida. Gigante, mas nada muito diferente do Brasil. Lá compramos um vacuum novo.

Beijos, família.

#Tete83

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Dia 49 - Leitura

Hoje começamos um novo ciclo no curso de inglês. A cada quatro semanas, sempre após os testes, os professores começam a abordar novos assuntos. Vez ou outra a mudança é um pouco mais radical e os professores também são substituídos. O Matt, por exemplo, saiu da nossa classe e foi para o período noturno e minha turma agora fica sob a batuta da Sunita.

Eu estava meio reticente quanto a mudança dos professores, até porque eu gostava do Matt e aprendi bastante com ele. Mas tenho que admitir que a Sunita é mil vezes mais preparada para dar aula. Mas pô, ela está há 15 anos na sala de aula, sendo há 11 só na Navitas.

Para vocês terem noção, ela sabe quais são as dificuldades dos brasileiros, dos coreanos, dos italianos. Imagina quantos gringos já passaram pela sala de aula dela. O Matt, poxa, tá só começando e fomos a primeira turma dele. Na minha cabeça só penso uma coisa: se ele tá ali é porque alguém acreditou nele e nada pior do que você procurar um emprego e alguém falar que você não experiência. Todo mundo começou um dia e certamente o Matt vai lembrar do Vitor, do Léo, do Daniel, Talita, Karina, Didi e etc...

Nossas leituras aqui...
A Dani também tem uma nova professora, a Krista. Ela é dos Estados Unidos e tem um inglês bem mais fácil para se entender do que o dos australianos, que costumam falar bem rápido e com gírias. A Sunita também não é australiana, é natural de Londres se eu não me engano, mas já está aqui faz bastante tempo.

Como consegui entender tudinho que a professora disse na aula, resolvi me arriscar ainda mais. Saindo da aula, passamos na biblioteca e aluguei um livro, The Old Man and the Sea, de Ernest Hemingway. A sugestão de título eu encontrei em um site que diz que esta é uma das maiores narrativas da literatura e interessante para quem quer aprender inglês. Vou tentar ler e depois conto aqui.

Detalhe: a biblioteca (Library, em inglês) é pública e fica bem pertinho da escola. Para estudantes, o aluguel do livro ou filme é free. Basta fazer um cadastro, escolher o título e retirar com a atendente. Super simples.

A Dani também vai ler e pegou emprestado com a Alyne um livro (Malala) que conta a história de uma menina paquistanesa que lutou pelos seus direitos em região controlada pelo Talibã.

Bom, vou lá pra cozinha porque a Dani tá trabalhando e eu ainda preciso fazer o nosso almoço de amanhã.

domingo, 11 de setembro de 2016

Dia 48 - Bateu saudade

Domingão. Hoje mais uma vez não trabalhei no Manly Pizza Wine. Como não é todo domingo que é busy, não são todos que eu trabalho. Só de manhã que fui rapidinho com o Brunão fazer o cleanner na Anglicare e na empresa vizinha e o fio do aspirador de pó deu um curto lá que começou a pegar fogo.

Putz, o dia já começou mal. Ainda bem que tinha um outro lá e conseguimos finalizar o trabalho. Mas falando do cleaner, uma coisa é curiosa. Lá são várias ilhas de escritórios que me lembram a agência de comunicação que eu trabalhava no Brasil, a S2Publicom, em São Paulo.

Bateu saudade
Já estou fazendo esse job um mês e pouquinho e agora fico imaginando quem são as pessoas que trabalham ali. Já sei quem são os mais porcos, os que são preocupados com a limpeza e já descobri até o nome de alguns. Vez ou outra tem um e-mail impresso na mesa e consigo ver o nome do remetente. Tem até um Victor, meu xará.

Sobre o meu inglês, ontem consegui conversar com o meu chefe no restaurante. Todo mundo tinha ido embora e sem ninguém para traduzir tivemos que nos virar. Ele me disse que a partir de outubro, eu passarei a trabalhar quase todos os dias. É o verão chegando e os turistas também.

Enquanto eu fiquei em casa, fiz o almoço de hoje e o de amanhã também e a Dani foi trabalhar. Sozinho em casa, estudei um pouco de inglês, mas a maior parte do tempo fiquei revendo fotos do Brasil. Bateu saudade, viu? Aqui é muito bom, muito legal, mas cadê nossos amigos? Cadê o Léo e sua campanha política? Philipe tá até de namorada nova? Where is Renato e seus jantares com sal rosa do himalaia? E o Biel e as fofocas da Cidade? Betinho estaria pensando no casamento? Alan segue trabalhando 28 horas por dia? E as piadas do Matheus? Tudo bem que temos os melhores flatmates, mas e a família? Essa é uma só.

Chorei um pouquinho de saudade do papai, mas a tristeza já vai passar. Amanhã é um novo dia, dia de aula com uma nova professora.

Quem disse que ia ser fácil? A Dani chegou, ufa, dá aqui um abraço.

sábado, 10 de setembro de 2016

Dia 47 - O dia que dirigi

Fiquei tão empolgado de falar das minhas notas na quinta-feira que acabei esquecendo de contar que dirigi o carro do Brunão quando voltávamos do cleaner na Anglicare.

Pra quem não sabe, o trânsito aqui é todo ao contrário. Em outro post lembro que falei do cachorro motorista. Às vezes ainda me assusto quando olho para um carro e vejo o banco, que seria o do motorista do Brasil, sem ninguém, com uma criança ou então com uma pessoa olhando pro nada.

Mas não é só o volante que é do lado contrário. Se no Brasil, o normal é você andar sempre pela direita, aqui o normal é trafegar pelo lado esquerdo. Então é muito comum você olhar para o lado errado na hora de atravessar. A Dani corre sério risco de vida ao caminhar sozinha. Brincadeira, agora ela já está aprendendo a olhar pro lado certo.

Outra dificuldade que tive foi com o câmbio do carro. No Brasil, dirigia apenas no manual e aqui a grande maioria dos carros são automáticos, como o carro do Bruno. Tudo bem, amarrei a perna esquerda e consegui dirigir numa boa. Mas os controles de setas e para-brisas, também do lado contrário, me pegaram. Tudo bem, o vidro tava sujo.

Além disso, aqui o povo é muito cordial e sempre dá passagem para os pedestres. Então, muita atenção. Se a pessoa está querendo atravessar, pare. Outra coisa: a preferência no trânsito é sempre de quem vem da direita.

O maior problema, porém, é estar do lado contrário. Você perde um pouco de noção de espaço e tende a ficar mais para o lado esquerdo da pista. O Brunão foi me guiando: "Tá muito perto aqui, mais pra lá".

Bom, agora só falta um carro e para isso precisamos de dinheiro. E para ter dinheiro, precisamos trabalhar. Partiu lavar louça no Manly Pizza Wine. A Dani também já foi pra labuta, enquanto eu fiquei a tarde atualizando o blog pra vocês.

Beijos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Dia 46 - Churrasco e Pagode

Camisa do Santos, shorts, tênis esporte, boné, óculos de sol e um casaco só para garantir. É, parece que o frio foi embora mesmo e esse modelito é porque hoje foi dia de passeio. Se ontem a Dani andou 10 km, hoje foi minha vez de andar bastante - talvez uns 8 km - até Dee Why.

No meio do caminho, Facetime com a família para mostrar que minhas aulas de português para o meu amigo coreano, o Daniel, estão dando certo. Ele se apresentou assim: "Olá, meu nome é Daniel. Eu vim da Coréia. Tudo bem? Tomar no c...". Depois aprendeu o "Vai Corinthians" e o "Chupa Corinthians".

Um pouco da nossa caminhada até Dee Why
O passeio, além de bom para sair um pouco do ambiente da sala de aula, faz muito bem para treinar o inglês. Hoje, falei inglês durante toda a manhã. Quando não entende a palavra, pergunta. Errou, tenta de novo. Muito bom saber que estou evoluindo.

Após três horas e meia de caminhada, enfim chegamos em Dee Why. O caminho até lá é paradisíaco, passa por várias praias, anda em cima de umas rochas e aprende um pouco de história também. Por exemplo, se eu não me engano Freshwater é a praia onde começou o surf aqui na Austrália.

Já no destino final, comemos o que? Churrasco. Na verdade, comemos hambúrguer, mas foi feito na churrasqueira, então é churrasco. Algumas praias aqui possuem churrasqueiras elétricas, onde você chega e usa a vontade. Ainda teve comida coreana preparada pelo Daniel. Muito gostosa, mas também bastante apimentada. Um gole de cerveja a cada garfada.

Também tivemos brigadeiro, batatinha, chocolate, refrigerante e tudo isso por apenas 10 doletas de cada. Muito barato.

Durante o churrasco, o Matt também se despediu da gente. Depois de um pouco mais de um mês, vou ter outro professor a partir de segunda, já que ele vai para o período noturno. Bom pra nossa classe e bom pra ele. Faz bem mudar, né?

Cheguei e só deu tempo de trocar roupa, cochilar alguns minutos e partir pro trabalho. A Dani também trabalhou e depois da labuta ainda fomos para um pagodão em um barzinho aqui. Me senti no Brasil, até porque um dos integrantes da banda era o Bolacha, amigo meu de Santos. Ué, essa porra é o Moby de domingo, pensei.

Muito samba, muito sono. Partiu nanar.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Dia 45 - 55% melhor no Inglês

Hoje foi dia de acordar mais cedo. A Dani teve passeio na escola e tivemos que passar no supermercado para comprar o almoço dela. Uma fortuna. Com apenas sete doletas, compramos dois pacotes de bolacha Oreo, um sanduíche natural e um biscoitinho de arroz. 

Olha ela aí na caminhada
O passeio saindo da escola foi até a Spit Bridge, uma ponte levadiça. Foram 10 km de caminhada e muita conversa em inglês com as novas coleguinhas da Suíça. No meio do caminho, a professora explicou um pouco do surgimento e da colonização da Austrália. 

Descoberto pelo império britânico, o território australiano recebeu seus primeiros moradores em 1788. Os novos habitantes eram criminosos, que como pena eram transferidos para a Austrália. A pena durava em média sete anos e assim que libertados eles ganhavam terras para o plantio. Retornar a Inglaterra era praticamente impossível. O período como colônia penal durou até 1868 e nesse tempo mais de 168 mil prisioneiros foram transferidos para a Austrália. 

Enquanto ela passeava e tinha aula de história eu recebia meu feedback na escola. Depois de todos os testes, o Matt chamou um por um para o que eles chamam de entrevista. Como eu já esperava, as minhas notas foram ótimas e no total eu pulei de 25% pra 80%. Espero subir de nível nas próximas semanas. 


1st test
2nd test
Accuracy
1
3
Range
1
3
Fluency
1
4
Pronunciation
1
2
Interaction
2
4
Total
25%
80%
Grammar
65%
89%
Listening
38%
68%
Reading
70%
86%
Writing
60%
90%
Speaking
25%
80%
Total
52%
83%

Hoje, como não trabalhamos, também foi dia de irmos ao shopping. Depois de andar 10 km, a Dani ainda topou andar uma horinha até lá. A caminhada foi tranquila e difícil mesmo foi não cair na tentação e sair comprando tudo que vimos pela frente. Tem muita coisa legal e barata. Mas conseguimos e voltamos pra casa apenas com um tênis novo pra Dani trabalhar. Ufa.  

Vamos dormir cedo que amanhã quem vai passear sou eu. 

Beijos

#89

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Dia 44 - Os melhores flatmates

Ôôôôôôô a tips voltou. A tips voltôôô, a tips voltôôôoou. Depois de alguns dias sem as tips no restaurante, tudo voltou ao normal hoje. O chefe voltou de viagem, trabalhei em plena quarta-feira e de quebra ainda levei 27 doletas de tips pra casa.

O dia no restaurante só não foi melhor porque a Ísis, a que me arrumou o emprego lá, precisou voltar ao Brasil para resolver alguns problemas particulares. Já falei, aqui precisa se acostumar com o pessoal indo embora. Mas nesse caso, ela voltará em breve. Estaremos te esperando.

Enquanto uns lamentam ter que partir, outros fazem de tudo para voltar. Se liga nessa história. Uma menina, 17 anos, sai de uma cidade do interior do Mato Grosso do Sul para estudar três meses na Austrália. Após quatro dias de viagem, ela chega ao destino final e simplesmente odeia tudo.

Dani, os melhores flatmates e nosso japonês
Pois é, ela entrou na minha classe na segunda-feira e hoje voltou ao Brasil. Disse que não gostou de nada, que veio para fazer a vontade do pai e que podia trabalhar na empresa da família mesmo sem aprender o inglês.

Até entendo um pouco a situação dela, novinha, mora no meio do mato e ainda deixou o namorado. Mas pô, já que veio, aproveita, mas ela nem tentou. Mal sabe ela que daqui uns anos vai se arrepender, ou não. Mas se ela tem dinheiro mesmo, ela volta as custas do pai. E nós aqui fazendo economia.

A gente economiza, mas não passa fome viu mãe, viu sogra? Não passa mesmo. Depois do meu jantar nota 7 de ontem, o Brunão resolveu mostrar quem é que manda na cozinha. Tudo bem que meu bolo de cenoura tava uma delícia, mas ele apelou e fez logo um jantar japonês. Sushi, hot roll doce, salmão grelhado... sensacional.

Quando chegamos na Austrália, pensamos: não vamos morar com brasileiros. Mas todos os dias agradecemos por termos encontrado os melhores flatmates. É um tal do Bruno me chamando pra trabalhar e me ligando todo dia com saudade, a Alyne (escrevi certo agora) me ensinando inglês e contando como as coisas funcionam, o Rafa mostrando os atalhos para chegar na praia ou dando presentinhos para o nosso quarto... Só temos que agradecer mesmo.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Dia 43 - Self Raising

Agora de cama nova, tivemos mais um dia agitado por aqui. Na escola, a semana de testes segue a todo o vapor e hoje acertei 25 de 29 questões do teste de leitura. Os exercícios não eram nada complexos, mas sim bem fáceis. Mas é aquilo, né? Fácil porque agora eu já entendo um pouco mais do inglês. Na primeira semana, você se sente um verdadeiro ET, um asno, mas com o tempo e bastante dedicação as coisas começam a melhorar.

Saindo da escola, também tivemos nossa primeira experiência no correio. A Dani precisou pagar umas coisas do Brasil e pelo que notei o funcionamento é bem parecido com o nosso. Tudo bem que o correio - que se chama Australia Post - parecia uma papelaria, cheio de coisas pra comprar, mas o trabalho em si, tudo igual.

Não é que cresceu?
Outra coisa que preciso escrever aqui é que em breve o blog pode ter novidades. Talvez vocês não percebam - ou talvez percebam -, mas o mais legal é que pessoas que trabalham com intercâmbio estão lendo e gostando do blog. Vai que pinta uma parceria, um dindin extra. O que vier é lucro.

A tarde/noite foi de Palmirinha. E olha que hoje eu caprichei. Cansado de comer frango e batata doce todos os dias, resolvi fazer aqui a comida preferida do meu pai. Arroz, feijão, carne moída e purê de batata. Ainda inventei um arroz com mostarda, um purê mesclado de batata doce com a normal e tudo ficou ó, uma delícia.

Não satisfeito, resolvi fazer o mesmo menu para o jantar de geral aqui em casa. E digo mais, preparei um bolo de cenoura com a receita da minha tia Paula. Aí que entra o título do post: Self Raising.

Sempre gostei de fazer bolo, mas nunca fiquei totalmente feliz por um simples motivo. Apesar de gostosos, eles sempre ficavam igual a uma folha de papel. Não cresciam de jeito nenhum. Mas se os seus bolos também parecem uma sola de sapato, seus problemas acabaram. Chegou a mais nova sensação do mercado, a Self Raising (auto levantamento, em português), uma farinha de trigo que já vem com fermento. Mágico.

O jantar, com ajuda do Brunão que fez o arroz e o feijão, ficou uma delícia e o bolo, além de ter crescido, está digno de um aprendiz de Palmirinha. Self Raising, I love you.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Dia 42 - Um quarto de verdade

Começo de semana e o inglês cada vez melhor. Na quinta, inclusive, vou receber meu segundo feedback após os testes. Hoje recebi a correção do meu teste de writing e fiz também o de gramática. Sucesso.

O writing não tinha nota, mas os erros foram poucos. Eu tinha que escrever uma carta para um amigo meu contando o que estava rolando por aqui. Vejam se vocês entendem:
____

Hello, my friend Alan.

I'm living in Australia with my girlfriend Daniela. We arrived here exactly a month ago and we are loving the city. Every week day we go to English School to improve our English. In the beginning was very difficult, but now I'm getting better. 

In Manly, I'm working as a dishwasher in a Italian restaurant, Manly Pizza Wine. Sometimes, I'm a cleaner with my flatmate Bruno. Yesterday, Daniela went to work as a waitress in Braza, a new restaurante here. She worked five hours and still received tips. She is happy. 

We're living in Fairlight and walking to school. In our freetimes, We likes to run on the beach. The other day I saw my teacher, Matt, when I ran. He arrived here two months ago. 

Last sunday, I went to the city to watching a jiu-jitsu competition. My flatmate fought against an american man and lost, but that's ok. 

After wards, We went home and ate barbecue. We also drank a lot ans are an orange cake. The dresser was just right. I will promise to make one for you when you came to visit me. 

Thanks, see you. 
_______

Nosso Canto
Já no teste de gramática, acertei 114 de 128. Very Good.

O mais legal do dia hoje, porém, foi que enfim podemos dizer que temos um quarto de verdade. Fui com o Brunão e a Aline buscar uma cama na casa de um casal amigo deles que está voltando para o Brasil. Além da cama, ganhamos dois criados-mudos, um espelho e um cesto para botar roupa suja.

Busquei, fui trabalhar duas horinhas no restaurante e na volta, com ajuda dos melhores flatmates do mundo, arrumei tudo direitinho para a chegada da Dani. Deixamos tudo no esquema, acendemos uma vela no quarto e nos escondemos na sacada.

Avisei que não estávamos em casa e que a cama não tinha dado certo. Surpreeeeeeeeeesa. Ela, claro, ficou feliz. Gostou mais do espelho do que da cama, mas enfim temos um quarto de verdade. Venham nos visitar amigos.

Beijos.

VOCÊ SABIA...

... que um tênis de marca pode custar só 40 doletas?

... que as pizzas italianas são diferentes das do Brasil?

... que os gringos, enfim, conheceram a paçoquinha?

domingo, 4 de setembro de 2016

Dia 41 - Hoje foi busy

Hoje é Dia dos Pais (Father's Day) por aqui e, claro, que bate aquela saudade do Nono. Sei que ele está me acompanhando de algum lugar.

Antes e...
Por conta da comemoração dos papais, eu fui trabalhar no Manly Pizza Wine mais cedo, já que o restaurante teve mais movimento - aqui eles usam o termo busy (ocupado ou ativo em português). Ou seja, hoje tava busy no almoço. E quando está mais tranquilo usamos o termo quiet. 

Antes disso, porém, acordei cedinho para ir correr. A Dani ficou na cama e sem a minha parceira acabei correndo só quinze minutinhos. Explico: fiz um trajeto diferente e resolvi parar para conhecer uma loja de artigos esportivos conhecidas pelos baixos preços e promoções, a Paul's Sports.

Chegando lá, já me deparei com a promoção: compre um tênis e leve outro de graça. Gostei, mas não levei. Como já estava nos meus planos esse pit stop nem levei a carteira para não passar vontade.


...depois
Mas não é só tênis, tem muita coisa. Agasalho esportivo da Under Armour, Nike, Adidas por 30 doletas. Gostei de uns cinco. Tênis de marca por 70 doletas, gostei de uns oito. Além de muitas camisetas, calças, equipamentos esportivos e muitas Havaianas. Umas que eu nunca vi. Tem um paredão com uma infinidade de Havaianas, aquelas que todo mundo usa.

Nem voltei a correr e os tênis de basquete me fizeram lembrar de um amigo meu de Santos, o Biel. Fiz um Facetime com ele, falei da loja e aproveitei para contar outras coisas que vem acontececendo por aqui.

Da loja, fui direto para o cleaner na Anglicare e na volta só deu tempo de trocar de roupa e correr pro restaurante.

No caminho ainda passei por uma feirinha, parecida com as do Brasil, a qual chamamos de feirinha hippie. Quadros, brincos, pulseiras, capinha de celular personalizada, capa de almofada, roupas e comidas foram algumas das coisas que me recordo. Tudo organizadinho e bonitinho.

Beijos, vou dormir que hoje foi busy. 

sábado, 3 de setembro de 2016

Dia 40 - Tete a caminho

O sábado não poderia ter começado melhor. Comprei a passagem para a minha mãe e daqui há 92 dias ela estará aqui com a gente. Ela chega no dia 7 de dezembro e vai embora só em 9 de janeiro. Um mês pra matar a saudade, embora no dia 10 de janeiro eu provavelmente já estarei com os mesmos sintomas de agora: morrendo de saudade.

Vem Tete!!!

Fez um dia lindo aqui, mas como estava ventando muito resolvemos não ir correr e nem aproveitar nada. Sábadão pra gente foi mesmo dia de trabalho.

A Dani preparou um macarrão no almoço e logo depois, às 5 pm, eu já fui pro restaurante. Ela entrou uma hora mais tarde e agora a noite, às 11 pm, nos encontramos para voltar pra casa com o Brunão, que também trampou na cozinha do Manly Mexican.

Como trabalhei dobrado hoje acabei comendo duas vezes no restaurante. Vou aproveitar pra fazer um jabá. A comida é muito boa. Hoje experimentei a lasanha. Não é igual a da minha mãe (a melhor que eu já comi), mas é muito boa. Já provei o ravioli e o spaghetti, que são incríveis também. Sem contar as pizzas.

Quase todo dia levo pra casa uma de BBQ (Barbecue) e ela é sensacional. Tem ainda uma pizza com sabor de pão de alho, impossível não gostar. A Quatro Formaggio é a mais cara do cardápio, mas não tem nada de mais, apesar de ser bem gostosa. As pizzas dos italianos, pelo que eu reparei, são bem diferentes das do Brasil.

Outro dia vi o chef contando uma história em que os brasileiros colocavam muito queijo na pizza. E de fato, aqui vem bem menos queijo e a pizza é mais fininha. O lado bom é que você acaba apreciando ainda mais o gosto da massa, que é bem gostosa. Aqui nada daquele blocão recheado. Mas a gente gosta, né?

Beijos

#92

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Dia 39 - Where's my tip?

Chuva por aqui. Depois de muitos dias de sol, o segundo dia da primavera foi com chuva. Mas pelo menos nada de frio. Nem calor.

E não foi só o tempo que mudou. O meu cabelo também, e de novo. Acho que agora consegui e depois de alguns dias com o teto laranja, amarelo, loiro, hoje posso dizer que cheguei no branco, grisalho ou cinza. Como preferirem.

Daniel, eu, Matt, Minsung e as paçoquinhas
Na escola, o Matt, enfim, recebeu a paçoquinha. Também dei uma pros coreanos, o Daniel e Minsung. "Muito boa a paçoquina", disse o professor, que não consegue pronunciar o nosso 'nha' em português.

Hoje é sexta, dia de lavar louça no Manly Pizza Wine. O meu chefe, o Captain, viajou para o EUA e deve voltar só na terça-feira. Enquanto isso quem assumiu a chefia foi a manager, Larissa, uma tiazona simpática, aquela que me pediu a taça de vinho outro dia. Mas hoje ela pisou na bola comigo. Tô bravo.

Aqui é muito comum as pessoas darem gorjeta (tip, em inglês). Muito mesmo. E quem dá, costuma ser generoso. Desde o dia em que comecei no restaurante tava recebendo minha parte. Mas hoje, a bonitona resolveu que eu e mais dois funcionários não íamos mais receber porque nosso pagamento é feito em dinheiro. Tudo bem, não vou chorar por 8 doletas (eu ganharia isso hoje), mas fiquei triste pela atitude. Detalhe: ela também divide as tips. Menos três pessoas, mais dinheiro pra ela. Também nem queria mesmo.

Com o dia cinza, assim como meu cabelo, resolvemos não ir pro bar hoje. Sai do restaurante às 11 pm, encontrei o Bruno e quando chegamos em casa fomos recepcionados com cerveja, batatinha, rolinhos primaveras e amendoim. Tudo preparado pela Dani, Rafa e Alyne.

A noite de karaokê na sala - com direito a um projetor de imagem na parede - terminou com brigadeiro. Tem coisa melhor?

Beijo de hoje pra Heleninha, nossa leitora mais assídua e participativa.

VOCÊ SABIA...

...que ontem assisti um filme em inglês?

...que a Dani tem uniforme de trabalho?
...que já estamos pensando em renovar o visto?

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Dia 38 - Cinema em inglês

Hoje começou a primavera e o clima já é bem diferente de quando nós chegamos. As pessoas que estão aqui há mais tempo falam que este inverno foi bem menos rigoroso do que em outros anos, mas para a gente tava frio pra caramba (pra não falar outra coisa).

Na escola, todas as quintas e sextas rola uma sessão cinema durante o My Study (horário em que você estuda por conta própria). Nunca tinha participado, até porque não entenderia nada. Hoje, porém, resolvi ir lá para ver como funcionava. E olha... a pipoca estava uma delícia.
O primeiro filme em inglês

Brincadeira, até que consegui acompanhar a história do filme (a comédia Starsky & Hutch) e, apesar de ainda ser bem difícil para mim, valeu muito a pena. Foi gratificante entender alguns diálogos entre os atores Owen Wilson e Ben Stiller. 

A mesma coisa acontece quando você descobre qual a história daquela música que você sempre gostou de ouvir nas rádios do Brasil. Um dia ainda vou conseguir ver um filme e entender todas as músicas. Tenho fé nisso. 

Primeiro dia da primavera, primeiro filme e primeiro jantar num restaurante. Aqui só tinha jantado fora lá no restaurante que trabalho. Ah teve um dia que eu pegamos umas pizzas e fomos num banquinho da praia e comemos olhando o mar. Romanticão mesmo. 

Mas voltando, hoje sentei pela primeira vez pra jantar num restaurante, o mexicano em que o Bruno é o chef da cozinha. A Dani trabalhou até às 11 pm e não pôde ir, mas eu, Rafa e Alyne comemos por ela. Assim como no dia do churrasco, lembramos dela e separamos duas tortillas pra levar pra primeira dama. 

Beijo pra todos.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Dia 37 - Carrot = Cenoura

Hello, how are you? Por aqui tudo bem.

Hoje pra começar vou falar sobre nós. E se você está lendo esse post sinta-se parte disso. Quando comecei a escrever o blog não queria nada além de registrar para mim mesmo as coisas que tenho passado e vivido aqui. Aliás, esse continua sendo o espírito da coisa e já me imagino daqui há alguns anos lendo tudo isso e relembrando cada dia dessa experiência fantástica e que recomendo para todos.

Tenho muita saudade dos amigos e, principalmente da família, e por aqui eu consigo trazê-los, mesmo que um pouquinho, para o meu mundo. Claro que eu queria contar muito mais coisa e talvez isso não seja nem 5% do todo. Mas por aqui consigo contar muito mais do que em uma conversa no Whatsapp. Na correria do dia, nem sempre a gente consegue parar e dar a atenção que a gente quer.

Cada dia aqui é uma sensação e um aprendizado diferente e quando sento para escrever tento relembrar um detalhe, uma novidade, uma história diferente ou simplesmente falar da temperatura. Hoje, por exemplo, fez um dia lindo aqui e já deu pra imaginar como serão as coisas no verão. Certamente contarei para vocês.

Enfim, quero mesmo agradecer todo mundo que está lendo e acompanhando o blog, que não é apenas um sucesso para mim. Já recebi vários comentários de amigos, pessoas não tão próximas, desconhecidos...e todos sempre apoiando. Até as amigas da minha mãe estão por aqui e ajudaram a contabilizar mais de 15 mil visualizações em pouco mais de um mês. Thank you so much.

Dani após o dia de waitress
Depois da parte fofa do post, vamos falar do que aconteceu hoje.

A Dani pela primeira vez trabalhou como waitress (garçonete) no Braza. Foram 5h na labuta e ela parece ter gostado, disse que passou rapidinho, até porque não parou um minuto. Ganhou até uniforme. Linda.

Na escola, a evolução continua, mas hoje tivemos uma DR com o Matt. A brasileirada se reuniu no intervalo e resolveu ter uma conversa com o teacher para ver se ele melhora a dinâmica da aula. Ele é do bem, mas às vezes começa uma coisa e não termina ou então tá falando de A e dá lição de Z. Mas ele entendeu, tá começando agora - se não melhorar vai ficar sem paçoquinha - e pediu pra gente estudar fora da classe também. 

Nisso ele tá mais do que certo. Na escola a gente aprende? Aprende. Mas fora dela é que você se vira e vai evoluir de verdade. Por exemplo, no meu trabalho se antes eu não entendia nada do que me pediam, agora eu já entendo 90%.

Por exemplo: Outro dia, o chef da cozinha me pediu para colocar a cenoura na panela. Algo do tipo: "Can you put carrots in the pan?" Em outros tempos eu responderia com um "Yes" e ficaria olhando pra cara dele, mas não. Aí que você vê que evoluiu. Eu perguntei pra ele. "What is carrot?". Acrescentei uma palavra ao meu vocabulário e até ele deve ter ficado feliz, já que antes conversar comigo e com um ursinho que você aperta a barriga e só diz três palavras dava no mesmo. No meu caso eram: Yes, No e Thank you.

Só pra completar, hoje no teste do Listening o que caiu? Cinco segundos pra vocês pensarem. 5,4,3,2,1. Isso mesmo: carrots. Já logo entendi tudo e acertei 17 de 25. Valeu chef, valeu amigos, beijo mãe.

VOCÊ SABIA ...

... que você pode achar uma geladeira novinha na rua?

...que já estamos pensando na renovação?

... que já estamos há um mês aqui?

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Dia 36 - Pensando na renovação

E se o Clean up de ontem em Dee Why não rendeu nada, hoje encontramos um armário para o quarto. E onde? Quase na esquina de casa. Voltando do cleaner na Anglicare com o Bruno avistamos um Clean Up aqui por perto e resolvemos parar.

Tá ficando arrumadinho
E aí? Vale ou não vale? Pensamos e resolvemos trazer o armário para o quarto. Não é nenhum móvel planejado da Italínea, mas é um armário que vai nos ajudar e muito. Pelo menos já vamos conseguir, enfim, desfazer as malas de vez. Aos poucos, nosso quarto tá ficando bem arrumadinho e semana que vem vamos pegar uma cama nova de um casal que está voltando pro Brasil após sete anos aqui. Oba.

Hoje também foi dia de corrida. Mesmo moído, acompanhei a Dani e fizemos mais 6 km. Essas ladeiras aqui matam, viu? Bunda dói, calcanhar também.

Outra coisa: começamos a ver as coisas da renovação do visto. É tudo muito cedo ainda, mas como o tempo voa, fomos até a agência para ver o que e quanto ($$$$$) precisamos. Nosso visto termina em janeiro, mais precisamente no dia 2, e nossas aulas vão até a chegada do Papai Noel, no dia 23 de dezembro.

Temos alguma opções, mas como ainda não definimos nada, melhor esperar. A única certeza é que queremos ficar por mais um tempo. Quanto? Ainda não sabemos. Muito cedo para decidir.

Mudando de assunto, outro dia falei da saudade das pessoas que vão embora e a gente nem percebe. Mas dessa vez, foi rápido demais. O Lucas, um brasileiro de Maresias, começou na minha classe semana passada e vai precisar voltar pro Brasil por conta de uns problemas de saúde. Fiquei na bad, moleque gente boa. Mas beleza, um dia ele volta pra gente continuar ensinando os palavrões pros coreanos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Dia 35 - Clean up

O cabelo ganhou um novo visual hoje, mas dessa vez a mudança foi menos radical. Apenas passei na minha cabeleireira - que também é minha namorada nas horas vagas - e pedi para ela dar uma aparada. O corte mais uma vez recebeu elogios.

Tarde livre de trabalho, compras feitas para o almoço da semana e cabelo cortado. O que fazer? Estudar. Nestes últimos dias, eu aprendi o passado simples. Ou seja: "I learned the past simple."

Falando na aula, ainda não levei a paçoquinha para o Matt. Fui na loja comprar e não tinha mais, vou esperar chegar. Quando ele provar, conto para vocês. 

O estudo foi interrompido só porque o Brunão me ligou. Tá rolando um clean Up em Dee Why, um bairro próximo aqui. Já falei em outro post, mas hoje vou falar mais sobre o clean up. 

Funciona assim: Você tem um sofá e não usa, tem um armário e não tem onde pôr. Sua TV velha funciona, mas está inutilizada, assim como aquela geladeira. A antiga mesa da cozinha está ocupando espaço demais na garagem. O que fazer com isso? Coloca na rua que pode ser útil pra alguém. 

Tem de tudo no clean up
E assim acontece com inúmeras coisas, sejam eles eletrodomésticos, móveis, roupas, eletrônicos, objetos pessoais e até filmes pornôs. Alguém enjoou dos filmes e resolveu compartilhar com a galera. Pena que era VHS...senão já ia levar pros meus amigos. 

Em Dee Why não achamos nada que nos interessasse. Apesar da iniciativa ser boa, algumas pessoas se aproveitaram da situação para se livrar do entulhão também. Mesmo assim, quem estava procurando por colchão, mesa e cadeiras, certamente achou. 

Ah, as "doações" não ficam na rua por muito tempo e não podem ser colocadas nas calçadas em um dia qualquer. Existe um calendário e um controle do Council, uma espécia de Sociedade de Melhoramento do bairro e cada bairro tem o seu. 

Acho que é isso. 

domingo, 28 de agosto de 2016

Dia 34 - Um mês e um churrasco

O dia mais uma vez começou bem cedinho por aqui. Hoje não teve tijolo, mas cai da cama para acompanhar com a Alyne e o Rafa a primeira competição do Brunão no jiu-jitsu. A Dani ficou em casa, já que hoje, pela primeira vez, ela vai dobrar lá no Braza. Oooo menininha esforçada, viu.

Na competição, o Bruno foi derrotado apenas uma única vez e pelo campeão, um americano com cara daqueles psicopatas que invadem a Universidade atirando em todo mundo. Tudo bem que a derrota do Bruno foi logo na primeira luta, mas só pelo esforço que ele fez para chegar no peso, o campeonato já valeu a pena. Na próxima a gente pega ele, Brunão. 

Um brinde ao nosso primeiro mês de Austrália
A competição aconteceu na Sydney University Sports and Aquatic Centre. Como o próprio nome já diz é uma universidade, mas não apenas os estudantes podem usufruir de toda a estrutura montada. E olha que não é pouca coisa. Enquanto estávamos lá, pude ver aulas de natação, handebol, futebol, alongamento, crossfit e badminton. No entanto, acabo de ver no site que são nada mais nada menos do que 45 modalidades disponíveis, além das aulas de ginástica.

Não sei como funciona para associar-se neste complexo em si, mas existem alguns espaços semelhantes a estes em que você paga uma determinada quantia e pode utilizar as instalações. Sei de um aqui perto de casa em que você paga sete dolétas e pode usar a piscina, por exemplo. 

De volta para Manly, pude apreciar meu primeiro churrasco - com direito a picanha - aqui na Austrália. Eram vários os motivos para comemorar. Primeiro, Brunão só perdeu pro campeão. Segundo, minha folga de domingo. E terceiro não é sempre que consigo uma folga da Dani. Brincadeira, mozão, sentimos sua falta e eu comi por você. 

Mas sério agora, o terceiro motivo é que hoje completamos nosso primeiro mês de Austrália. Com todos problemas que tivemos, temos mesmo é que comemorar. A Dani não participou do churrasco, mas comeu uma carne requentada agora a noite e também o bolo de laranja e o brigadeiro. Antes fomos todos buscá-la no trabalho e tomar uma cerveja no Steyne. Lá sim, brindamos o nosso primeiro mês de alguns que estão por vir. Cheers!

ps: Dani não tinha cafta e nem coração (explicação aos leitores: falamos que tinha acabado e ela ficou morrendo de vontade). 

sábado, 27 de agosto de 2016

Dia 33 - Um tijolo de cada vez

Trabalhando ontem à noite, recebi uma ligação. Sempre penso que vai ser alguém falando em inglês e que não vou conseguir entender, mas das últimas dez ligações que recebi aqui, 11 eram do Brunão, meu flatmate. Dessa vez não foi diferente.

"Vitor, rapidinho. Quer trabalhar amanhã? Duas horinhas". Antes que ele terminasse, aceitei, tava areando a panela concentradão, não quis perder o foco. "Beleza, depois te explico então".

O trabalho era na casa da Katie. Ela colocou em algum grupo no Facebook que precisava de alguém para remover os tijolos do quintal da casa dela e colocar em uma caçamba. O Bruno logo pensou em mim. Seria fácil, não fosse o fato de eu ter que ir sozinho e pelo menos conseguir conversar o básico com a moça.

O Brunão quis me levar, não quis e lá fui eu caminhando vinte minutos até Balgowlah, um bairro aqui perto. O caminho até o local do job já valeu a pena. É uma casa mais bonita que a outra, e esse bairro por ser mais alto que o nosso (Fairlight) tinha uma vista ainda mais privilegiada da praia de Manly.

Pausa pra foto 
Cheguei às 8:45 am, quinze minutos antes do combinado e fui recepcionado pelo marido da Katie, sujeito do qual eu esqueci o nome ou sequer entendi o nome. Tanto faz agora. O que lembro é que consegui me fazer entender. Meu script estava decorado e até conversei com o casal, os filhinhos e até com o cachorro.

Olhando não pareciam ser tantos tijolos, mas quando se tem apenas uma sacola para removê-los, eles aparentavam se multiplicar. Numa rápida conta, cheguei em um número: 800 tijolos. Vamos lá, um por um, nada de pressa. Deu 10:00, 10:30 am, tudo ia bem, quando o vizinho resolve querer conversar.

Essa não tava no script e não entendi muito bem o que ele disse. A Katie logo apareceu e aproveitei a brecha para dizer que a caçamba parecia estar cheia. Ufa, estava cheia mesmo. Ela disse que eu não precisava continuar e que estava ótimo. Pelas minhas contas ainda faltavam uns 100 tijolos. Obrigado e mais 60 doletas pra conta. Ótimo.

Era só o primeiro tempo do dia. Hoje ainda fiz o cleaner da semana com o Bruno e a noite fui pro restaurante. Nesse meio tempo, recebemos a nossa primeira visita em casa. O convidado não poderia ser outro e até que demorou para vir. O Carioca, que nos recebeu e ajudou nos primeiros dias, chegou pro almoço e eu pude retribuir com uma macarronada e uma cerveja. Valeu Joseph, sempre bem-vindo.

Por hoje é isso. Depois dessa maratona, amanhã é folga Brasil.

VOCÊ SABIA...

... que eu pintei o cabelo?

... que aqui praticar esporte é quase uma obrigação?

... que levamos os gringos para comer comida brasileira?

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Dia 32 - Paçoquinha

Uma regra para quem vive aqui na Austrália é não se apegar muito as amizades. Nada de tratar mal as pessoas ou não ajudar o próximo, mas aqui muita gente vai embora quando você menos espera. Eu já tinha pensado nisso, mas hoje tivemos a nossa primeira despedida desde que chegamos.

Tudo bem que quem voltou para casa não eram nossos amigos, mas foram colegas que enfrentaram as mesmas dificuldades que a gente e nos ajudaram quando precisamos. 

Hoje foi dia de dar tchau para a Dania, italiana, 17 anos, tava com saudade de casa e dos amigos. Ela ficou aqui sete meses, se eu não me engano, e foi tanto da minha sala como da Dani também. Grazie.

Geral no Brazuca 
Outras que mal chegaram e já partiram foram as irmãs Carol e Claudia, espanholas que vieram para estudar apenas um mês. Chegaram no mesmo dia que a gente. Essas eu quase não tive contato, mas a Dani conversou bastante com as duas. Graças chicas. 

É triste? É. Faz parte? Faz. Vai acontecer de novo? Vai. Vamos nos acostumar? Talvez. Ainda temos mais quatro meses, pelo menos, de curso e até lá muita gente vai chegar e vai sair. Já sinto saudade dos meus coleguinhas. 

Enfim, para celebrar a estadia delas aqui, nada melhor do que levá-las para comer comida brasileira. Combinamos com quase todos os alunos e fomos almoçar no Brazuca, um dos restaurantes brasileiros aqui em Manly. Arroz e feijão pra todo mundo, menos pra italiana que mesmo com várias opções não abriu mão de comer massa. Mas mesmo assim, acredito que eles gostaram bastante. Até os coreanos foram.

Foto daqui, foto de lá. Pronto, está registrado.

Na volta para aula, o Matt (meu professor) já estava sabendo do nosso encontro. Perguntamos então se ele gostava de comida brasileira. Com aquele sotaque de inglês, mas que nasceu na Alemanha e morou na Suíça até pouco tempo atrás, ele emendou: pão de queijo (pao de queiço), feijoada (feizoada) e brigadeiro (brrrigadiero). Perguntei: conhece paçoquinha? E ele respondeu: What? Passoquina? Expliquei para ele, mostrei foto e prometi: segunda trago para você. 

Aliás, aqui tem muita coisa pra matar a vontade da comida do Brasil. Além da paçoquinha, já achei pé de moleque, feijão preto e carioca, batata palha, farofa pronta e pão de queijo. Dá pra quebrar o galho, vai.

Partiu lavar louça. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Dia 31 - Atletas do Invernão

A ideia é deixar o cabelo branco mesmo, mas tá difícil. Hoje a Dani resolveu passar a água oxigenada 40vls e meu couro cabeludo não ficou muito feliz. Aguentei oito minutos e já mergulhei no banho. Tudo bem, aquele laranjão já se foi.

Antes disso, porém, fizemos nossa primera corrida "toguedinho". O cenário é encantador e dá vontade de sair correndo e não parar mais. Nem o frio, esse lazarento, atrapalhou nossos planos. Saímos aqui de casa e fomos até Shelly Beach. Na volta, subimos uma ladeira bem mais desafiadora que o Ilha Porchat (São Vicente) e conseguimos. Oito quilômetros pra conta. Anota aí, Cecil (professor do grupo de corrida da Dani lá em Santos, o Atletas de Verão).

E essa vista?
Já falei pra vocês que o povo aqui é muito atleta, né? Tem gente correndo pra tudo que é lado, as academias tem promoções e além disso vários prédios possuem seus próprios aparelhos. Mas também tem muita gente de skate, bicicleta e já vi até um pessoal de terno e gravata indo trabalhar de patinete. Surfista então, tem de monte. Sem contar os parques com quadras de tênis, rúgbi e espaço para jogar críquete. Só não pratica esporte quem não quer.

Bom, além de nós, temos outro atleta em casa. O Brunão ainda é faixa branca do jiu-jitsu e vai participar do seu primeiro campeonato no domingo. Eu vou lá assistir e depois conto pra vocês como foi. Hoje, ele aproveitou a folga e nos acompanhou na corrida, já que ele precisa perder uns quilinhos pra luta. O bicho, que é bom de boca, tá só na salada, cortou a pizza semanal e até nossa cervejinha quase que diária. Beleza.

A boa notícia do dia é que a Dona Tete, vulga minha mãe, estará mesmo com a gente no final do ano. Pelo que obtive de informações vindas de Santos, ela assistirá aos fogos da virada em alguma praia paradisíaca da Austrália. Contaremos os dias.

Vem Tete! Beijos.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Dia 30 - Cabelo pintado, sim

Você é louco, malucão mesmo, you are crazy, faltou surra. A Dani deixou?

O post está longe de querer ser polêmico, mas as reações sobre a cor do meu cabelo me deixaram um pouco encucado. Também não quero entrar em uma de comparação Brasil x Austrália. Quem sou eu para cagar regras? Eu amo o Brasil e não vim para cá para fugir da corrupção, nem dos assaltos e nem para ganhar dinheiro. Eu só quero aprender inglês. 

Embora eu esteja escrevendo sobre o assunto, os comentários não me deixaram tristes ou irritados. Não mesmo. Mas eles podem exemplificar, e muito, como as coisas são diferentes por aqui. 

Por exemplo: lembro que comentei em outro post que vi um cara de cueca na rua. Ele não me parecia um louco, não estava pedindo dinheiro, tinha uma mochila nas costas e parecia mesmo que tinha perdido a hora e acabou esquecendo das calças. Tudo bem, pode ser que não seja isso, mas olhei para ele, as pessoas em volta... Nada. Ninguém o recriminando. Não que seja normal ou legal, mas ele estava na dele, sem importunar uma pessoa sequer. Porque eu iria me incomodar?

Ela não só deixou, como foi minha cúmplice
Posso falar também das mulheres e homens bonitos, de diferentes culturas, que a gente vê por aqui. Cada um tem o seu estilo. O italiano é elegante ao seu jeito, os espanhóis adoram um shorts mais curtinho, alguns surfistas locais parecem que não cortam o cabelo há anos e os asiáticos, talvez os mais diferentes, adoram usar papete, também curtem pintar o cabelo e usar calças estilo pescador, aquela na canela.  

Ah, então você quer aparecer e criar o seu estilo? Não. Antes de vir fiz até uma promessa pra Dani de que ia raspar o cabelo quando chegasse aqui. Minha justificativa era de que "ninguém me conhecia mesmo". Não sei se ficaria legal, mas os carecas certamente poderão me ajudar e dizer que é bem mais prático e rápido. 

Antes de raspar, tive vontade de pintar, de mudar. Tive coragem de largar meu emprego, de deixar minha mãe, de sair do Brasil e vou me preocupar com a cor do meu cabelo? Ninguém precisa deixar, também não sou malucão, e se alguém me batesse para me recriminar, talvez eu ficasse ainda com mais vontade de pintar. Hmmm rebelde. 

Enfim, esse é só o meu pensamento e acredito que o de muitos que vivem por aqui. Se você é feliz assim, eu vou te respeitar. Se você tem tatuagem na testa, não será isso que vai mudar a minha opinião em relação a você. Cabelo vermelho? Sem problema, você pode trabalhar comigo. 

Para os que não gostaram do cabelo, respeito e peço que continuem lendo o blog. Mas vocês ainda não viram a sobrancelha. 

Um beijo e podem continuar comentando e não gostando, eu amo vocês do mesmo jeito.