domingo, 31 de julho de 2016

Dia 6 - Estamos de mudança

Ir para a casa dos brasileiros super simpáticos e atenciosos e comprar uma cama e um armário ou esperar para ver se aparece algo melhor? Hoje é domingo e nosso curso começa amanhã, às 8h da manhã. O pior é que estamos longe de Manly e se não mudarmos logo vamos gastar uma grana de transporte, sem contar o cansaço e a falta de privacidade aqui no Jambalaia.

Vale lembrar, porém, que todos nos receberam muito bem aqui, principalmente o Zion, um australiano de Melbourne muito educado e que faz questão de conversar com a gente, mais com a Dani porque eu mesmo não entendo nada do que ele fala e só respondo: Ok, Ok! Ele deve me achar um idiota, ou não.

Enquanto não decidimos, vamos aproveitar o nosso último dia de férias, uma vez que nosso curso vai até o dia 23 de dezembro, de segunda a sexta, sempre das 8:20 am até 2:30 pm. Acho que até lá já estarei conseguindo falar com o Zion.

No caminho para conhecer o Kmart, uma conhecida loja aqui na Austrália, recebemos uma mensagem da Charlotte, uma francesa que está alugando um quarto em Manly. A gente quebrando a cabeça para mandar mensagem em inglês e ela me responde em português. Parece que morou no Rio de Janeiro um ano. 

Nosso quarto, prazer
A Charlotte mora com o Austie, um americano surfistão, e realmente fala muito bem o português. A casa que eles moram é tipo aquelas de filme, uma graça, de tijolinho, pertinho da escola também, mas (sempre tem um mas, né?) o contrato deles com o dono da casa termina em dois meses e eles já estão procurando outro lugar pra ficar. Gostamos, mas melhor não arriscar. 

Enfim, decidimos. O único impasse para não irmos para a casa em Fairlight eram os móveis, mas conversando com o Thiaguinho e a Renata ficamos sabendo que as pessoas aqui na Austrália doam as coisas. O Rafa e a Alyne já tinham nos falado dessa possibilidade. E os australianos doam mesmo. Armário novo, geladeira, cama, tudo. É só ir no lugar e retirar. Os anúncios, como sempre, estão no Gumtree. Para melhorar, o Thiaguinho tem uma van e disse que se assim que a gente achar, é só marcar que ele vai e pega. 

Pronto. Ligamos para Alyne, chamamos o Uber e aqui estamos. Casa nova. A recepção novamente foi ótima e nossa primeira noite em Fairlight será em dois colchões, no chão mesmo. Tá ótimo. 

Dia 5 - O primeiro almoço

Depois daquele misturadão tailandês que comemos em Manly, estamos de novo em Pyrmont, ainda no Jambalaia. Acordamos de novo bem cedo, hoje às 6h, e ficamos a manhã toda mandando mensagem para anúncios de casa em Manly. No começo foi um pouco difícil mexer no Gumtree (o site que te ajuda em tudo por aqui), mas depois de algumas tentativas, conseguimos. O Flatmates também é muito bom.
Nós dois com a Renata e o Thiaguinho na Darling Harbour

Feito isso, vamos ficar no aguardo das respostas e tentar marcar alguma inspection (inspeção), termo utilizado para você ir ao lugar, conhecer, ver se gosta e etc. Aliás, ontem conhecemos dois apartamentos: primeiro fomos até Little Manly na casa do Stefano, um italiano que está indo de férias para a sua terra natal e vai alugar o quarto por um mês. Ele mora com uma neozelandesa e uma outra italiana.

O outro lugar que fomos é em Fairlight, a casa do Bruno, amigo do Rodrigo, aquele que conhecemos no restaurante tailandês como escrevi ontem. Quem recebeu a gente foi a Alyne, mulher do Bruno, e o Rafa, irmão dela e que já está aqui há oito anos. A recepção foi ótima, super simpáticos e atenciosos. O apartamento é há 20 minutos a pé da escola e tem tudo o que a gente precisa, menos cama e armário. Que azar!

Bom, avisamos que gostamos, mas vamos esperar e ver se encontramos algo com mobília completa, já que comprar cama e armário a essa altura do campeonato não está nos nossos planos.

Hora do almoço. Vamos aos Coles, rede de supermercados famosa na Austrália. Os produtos são baratos ainda mais os fabricados por eles mesmos. Por exemplo, tem macarrão de 1 dólar e molho por 0,80 cents. Com esse preço, não pensamos muito e fomos para casa fazer a macarronada. A Dani ainda não começou o curso da Palmirinha, então a missão na cozinha ficou para mim mesmo.

Hmmmm, delícia. Soneca da tarde e partiu Darling Harbour para encontrar a Renata e o Thiaguinho, casal brasileiro que a gente conhece e mora aqui há algum tempo. Parece que todo sábado rola uma queima de fogos de uns 10 minutos, mas hoje não rolou porque tá tendo um evento diferente, alguma coisa com umas lanchas gigantes que estão estacionadas lá.

Sem os fogos, aproveitamos para dar mais uma volta e conhecer o Braza, um restaurante de comida brasileira com umas mulatas dançando com fantasia de carnaval. Lotado. Os gringos piram.

Até amanhã.

sábado, 30 de julho de 2016

Dia 4 - Jet Lag

A pergunta para quem chega é: Ainda está de Jet Lag? É a alteração do ritmo biológico que acontece após a mudança de fuso horário. No fundo, eles querem saber se você tá acordando na madruga com uma fome de dragão. Com a gente não foi assim, não. Mas acordei sem sono às 5h, olhei pro lado e a Dani tava lá do mesmo jeito que eu, fuçando Snapchat, Instagram e jogando Candy Crush.

Hora de levantar da cama e ir atrás de uma casa pra ficar. Aqui não conseguimos nem abrir a mala direito. Bate um desespero, mas um dia de cada vez. 

Nossa escola é em Manly, uma região um pouco mais longe do centro, aqui onde estamos. Fizemos a matrícula lá porque um outro amigo ia nos receber, mas ele acabou mudando de cidade. 

Olha o misturadão aí, gente
Até pensamos em transferir a matrícula para cá, mas isso não durou nem o primeiro dia. Conhecemos as duas unidades e chegamos a conclusão que Manly é muito mais a nossa cara. A City é São Paulo, uma doideira, muita gente andando, pessoas de todas as nacionalidades possíveis. As vezes você até acha que está no Japão. 

Já Manly é um sossego que só. Claro que tem muita gente também, mas você vê que a galera tá muito mais tranquila. Além disso, estamos no inverno e pelos relatos que temos é no verão que a coisa pega por aqui. Decididos a ficar em Manly, iniciamos a busca por um lugar para ficar. Gumtree e Flatmates, dois sites australianos, são os caminhos mais fáceis.

Mas antes disso, uma parada para matar a fome. A escolha é a mais barata possível, comida tailandesa por apenas 7,50 doletas australianas, água de graça e uma delícia. Arroz, ovo, frango, brócolis. Um misturadão muito louco que fisga qualquer brasileiro que curte um arroz e feijão. Não à toa, no silêncio da nossa refeição, só ouvimos o português nas três mesas ao lado. 

Oi, tudo bem? Somos brasileiros e chegamos ontem. Estamos atrás de algum lugar pra ficar. Conhecem alguém que esteja procurando. - pergunta a Dani para três caras brasileiros que comem o mesmo prato que a gente na mesa ao lado. 

Brasileiro é foda, né? Fale o que for, a gente quer se ajudar. Um deles, Rodrigo, já se prontificou, passou o número de outro brasileiro, o Bruno, e lá fomos nós conhecer a casa do Bruno em Fairlight, bairro do ladinho de Manly.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Dia 3.1 - Chegamos no Jambalaia

Como combinado, o Carioca, meu amigo Edgard, foi buscar a gente no aeroporto. Ele chegou em maio em Sydney e mora num apartamento com oito pessoas. São quatro brasileiros, dois colombianos, um australiano e um mexicano. E é para lá que nós vamos.

Antes disso, ainda no aeroporto compramos nosso chip de celular local. Pagamos 40 doletas australianas e você pode ligar até para o papa e ainda tem 6gb de internet. Compramos também o OPAL, o cartão transporte daqui.

Saímos do aeroporto por volta das 19h. E o trem estava como? Vazio. Entramos tranquilamente com nossas quatro malas e ainda sentamos. Muito bom esse trem que parece metrô e tem dois andares. 

Descemos em Town Hall e novamente liguei o modo turista. Dessa vez a Dani não brigou comigo e ligou o dela também. Dois idiotas tirando foto de tudo. Cheio de mala, rodinha de uma quebrada e ainda sem contar os 10 kg de bagagem nas mochilas das costas. Quem ligava?

Começamos a nos encantar. Tem elevador na rua? Muita luz, né? Olha essa roda gigante!!! Darling Harbour. Uau.
Primeira foto que tirei em Sydney
O Carioca mora em Pyrmont, um bairro colado com a City, que é como eles chamam o centrão aqui. Tem de tudo. Muito asiático, mas também tem palestino, europeu e, claro, muito brasileiro. Ah, tem muito colombiano também. 

Uma caminhada de uns 15 minutos depois e estamos em casa. Parece que teve uma festinha, tem uma galera que não mora, mas sempre frequenta. Segundo o Ed, o Ap é conhecido como o Jambalaia da Austrália. Sempre cabe mais um. Nesse caso, mais dois. 

Dia 3 - Sydney

Eu e o boné da discórdia
Chegaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaamos! Catorze horas depois estamos em Sydney. Antes disso preciso falar que liguei o modo turista e comprei um bonezinho do Chile no aeroporto. A Dani brigou comigo pra variar, disse que sou um louco andando com souvenir, que gastei dinheiro... Também te amo, amor.

Voltando pra Sydney, pegamos a fila da imigração e quando faltavam duas pessoas para a nossa vez descobrimos que não tínhamos preenchido todo o documento. Era tudo que a policial queria. Primeiro boas-vindas foi daquele jeito. Fui tentar falar e saiu em português. Ela, claro, não entendeu caralho nenhum e deu logo uma patada.

Or you speak in English or can not talk. Stay here next to not be late. - disse a mulher, uma loira de cabelo curtinho.

Documento preenchido, passaporte carimbado e agora é só pegar as malas, duas pretas minhas e duas vermelhas da Dani. Primeira preta, primeira vermelha, segunda preta... e nada da segunda vermelha.

Deixa eu ver. Dou a volta na esteira e vejo a mala vermelha, lacinho azul. Ops, dois policiais fazem a guarda da mala esperando o dono, de fato um mafioso, traficante.

Essa mala é minha - vou lá eu em português de novo, já fazendo o movimento de pegar a mala, quando um deles me questiona. Eu entendo e falo que a mala não é minha e já logo aponto pra Dani. Vai que sobra pra mim.

Drugs? Cocaine? Some food? Inglês pra lá e pra cá e fomos pra uma outra esteira, abrimos a mala e nada. O cachorro acusou que havia algo ali, mas pelo jeito deve ter sentido mesmo é o cheiro daquela gostosa da Neguinha, cachorra da Dani.

Vamos lá que o Carioca tá esperando pra buscar a gente.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Dia 2 - Chile

Pela primeira vez estou fora do Brasil. Chegamos no Chile após três horas e meia de viagem e como nosso voo para Sydney é só amanhã (27), às 13h30, vamos passar a noite num hotel pertinho do aeroporto. Ele é aconchegante, chama-se Diego de Almagro, oferece transfer free do aeroporto e vamos pagar 80 doletas pela pernoite.
Dani e a cereja
Resolvemos não sair para conhecer a cidade. Como estamos afastados do centro, perguntamos a recepcionista dos perigos de sair pela cidade. A conversa, em portunhol, foi mais ou menos assim:

Aqui é muy longe del centro? - perguntamos.
No, acredito que uns 20 minutos. Tienes que ir a Bela Vista. - respondeu a recepcionista.
És perigoso? - retrucamos.
Si! - cravou, dando fim a conversa. 

Depois dessa, decidimos jantar no hotel e não dar sorte pro azar. Pedimos o prato do dia, um macarrão e de sobremesa o garçom, um fofo diga-se de passagem (palavras da Dani), trouxe cerejas em conserva para mim e uma torta de laranja para a Dani. Tudo muito bom se não fosse o suco de laranja, que parecia uma Sukita sem gás. 

Até mais. 

Dia 1 - Tchau

Começo esse blog falando logo de cara do quanto foi difícil dar tchau para a minha mãe. Hoje é dia 26 de julho de 2016 e estou de partida para Sydney, Austrália, ao lado da Dani, minha namorada e futura mãe do João e do Miguel. Inicialmente estamos indo com visto para ficar seis meses, mas já sabemos que o país do canguru costuma ser apaixonante a ponto de fazer os estudantes não quererem voltar mais. Prometi para a dona Tereza que volto, mas também prometi para mim mesmo que, se for possível, isso só acontecerá quando meu inglês estiver tinindo. Afinal é para isso que estamos indo para o outro lado do Mundo.

Dona Tete, minha mãe, na hora do tchau!
O tchau já seria difícil em uma situação normal, mas ganhou roteiro de filme quando meu pai foi diagnosticado com uma grave doença três meses antes da nossa ida. Meu irmão com casamento marcado e eu com tudo engatilhado para viajar. O que fazer? Todos nós queríamos acordar desse pesadelo, mas o que a gente mais temia aconteceu. A viagem que aconteceria no dia 3 de julho acabou sendo adiada, já que no dia 4, dois dias depois do casamento do meu irmão, estávamos chorando. 

Contudo este lugar não é para ser ou ficar triste. A saudade claro que existe, mas daqui a pouco estamos juntos novamente. A ideia é que venham passar o fim de ano com a gente, não é? Enquanto isso, vamos em frente com o nosso combinado: você não chora daí e nem eu daqui. 

Sejam bem-vindos!